
Por: Teoney Guerra
Desde a semana passada, moradores da Urbis II, em Eunápolis estão em pé de guerra com a Embasa, em razão de caminhões estarem descarregando dejetos – fezes - na Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) que há no bairro.
O despejo das fezes coletadas pela prefeitura nos colégios do Município e por duas empresas que atuam nessa atividade na cidade, naquela estação de tratamento, tem provocado verdadeiras ondas de fedor nas imediações da ETE, causando mal estar em dezenas de moradores. O que já provocou uma manifestação de protesto no local, e queixas no rádio.
Segundo Ailton Lima, gerente do escritório loca da Empresa Baiana de Água e Saneamento (EMBASA), “a embasa passou a permitir o descarte desses efluentes na ETE porque o promotor de Justiça proibiu que fosse jogado no lixão, determinando que o descarte fosse feito lá”.
Porém, a pressão da população local fez com que a Embasa e a prefeitura, procurassem uma solução para o problema. E a forma encontrada é transferir o descarte dos dejetos para a Urbis III, onde a empresa tem outra estação de tratamento.
Como a reportagem do Nossacara.com verificou, a estação da Urbis III tem melhores condições de receber os resíduos. A ETE está mais afastada das residências, e a válvula onde é feito o descarte é apropriada, dispondo de um sistema de vedação que impede a fuga de gases e odores durante a operação.
Entretanto, o acesso a esse local está em péssimas condições, dificultando a aproximação dos carros-tanques. Informações obtidas pela nossa reportagem, dão conta de que o despejo desses resíduos está sendo feito na Urbis III. Porém, o gerente da Embasa nos informou que a autorização do despejo na Urbis II ainda está em vigor.
MAL ESTAR
Durante a nossa estada na ETE da Urbis II, o fedor tanto na parte interna da estação de tratamento, bem como fora, nas imediações, era muito forte. De acordo com moradores, o mau cheiro naquele momento era fraco, muito pouco, em comparação a outros momentos. Ouvida pela nossa reportagem, Ana Pereira da Conceição, moradora da Avenida W, bem em frente ao local onde os dejetos são descarregados, afirmou que o mau cheiro já provocou problemas de saúde em um dos seus filhos, de onze anos. “Em mais de vinte anos que moro aqui, nunca vi uma situação igualmente essa. Tem uns vinte dias que a gente não consegue dormir nem comer direito por causa desse mau fedor”.
Segundo informações que nos foram prestadas, uma casa localizada na esquina, bem próxima à ETA, está fechada porque a família que lá morava deixou o imóvel por causa do mau cheiro.
E as notícias não são boas para os moradores da Urbis II. Durante nossa estada na ETE da Urbis III, o encarregado nos informou que a Embasa pretende mudar a válvula de descarte do local onde está para outro. Porque a válvula está instalada numa área pública, e a sua remoção para dentro da área da Embasa é necessária. Além disso, o gerente da empresa afirmou que a autorização para o descarte na Urbis II está em vigor.