
Por: Bento Quinto
Eunápolis – 21/04/10 – “A Reforma Agrária não está atravancada apenas no Extremo-Sul da Bahia, mas em todo o Brasil”. É o que afirma o sindicalista e secretário geral da FETAG-Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia, Ailton Queiroz Lisboa, O Tico, em entrevista concedida ao NossaCara.com, acrescentando que “aqui na Região a gente tem um embate muito grande com as empresas de celulose que inflacionam o preço da terra, não dá nenhuma contrapartida social a não ser tentar cooptar lideranças, principalmente as desonestas às quais eles dão carros e outros benefícios”.
Tico, enfatiza que as empresas de celulose no Extremo Sul baiano “fazem parcerias supérfluas que não levam nenhum benefício às comunidades, a não ser levar o próprio nome da empresa a cada comunidade e, também, fortalecer o nome da empresa na mídia”. Ele explica que os programas sociais dessas empresas não nascem do anseio de cada comunidade, sequer são discutidos com elas, mas sim, são instrumentos dos próprios interesses da empresa e acrescenta: “essa é a nossa critica”.
Retomando o tema da Reforma Agrária, o secretário geral da FETAG-Ba diz que “o Governo Lula não conseguiu avançar nessa questão em seus dois mandatos porque a Bancada Ruralista cresceu e, hoje, os ruralistas tem mais força que a Bancada da Agricultura Familiar, dentro do Congresso”. Destaca que “quem dá as cartas são eles... infelizmente, o presidente da República não tem autonomia para decidir isso sozinho. O nosso Pais ainda tem muito político conservador”, conclu