
Por: Milla Verena - jornal O Sollo
Demora da Polícia, segredo de justiça e divulgação do caso
“Muitas vezes a Polícia fica com interesses de terceiros e as investigações não são bem esclarecidas”. “Se o MP - Ministério Público, não tivesse a par da investigação, tenho certeza que essa investigação seria fadada ao insucesso... Eles fariam de tudo para apagar as provas”.
Quanto ao segredo de justiça em que as investigações eram mantidas, e sobre o fato de as conclusões só terem vindo a tona agora, o promotor afirma que foi necessário para não atrapalhar o andamento do caso. “Agora, que o momento oportuno, onde não havia mais nenhuma lance de negociação para o cumprimento, porque a Polícia, lamentavelmente, não quis cumprir o mandado, então a gente teve que tomar essa providência para que a população soubesse em que pé estava a situação”.
“É muito importante o MP acompanhar as investigações para fiscalizar a Polícia. A Polícia não é a toda poderosa. Tem que haver um controle geral da administração pública”.
Testemunha viva
Sobre ao atentado de Itamar no Campinho e o depoimento dele, o promotor declarou que quando Itamar tomou 12 tiros, ele (Dionélis) orientou que o delegado transferisse Itamar para Eunápolis, porque aqui em Porto Seguro não tinha nenhuma segurança. “Como não sabia se a testemunha ia continuar viva, pedi a produção antecipada de prova – uma medida que visa preservar aquela prova, se a pessoa morresse, o juiz teria ouvido. É razoável que se faça isso segundo o inquérito”, disse.
O promotor e o juiz Roberto Costa Júnior foram a Eunápolis, onde realizaram a oitiva com o fim de preservar aquela prova.
O promotor alega que Itamar não teve ligação com a execução dos professores, que foi um crime conexo, a morte de “Pequeno”. “Pequeno” matou os professores e o mandante ordenou que Rodrigo Terceiro matasse “Pequeno”, e depois foi morto.
Fazendo uma comparação do caso com a época do coronelismo, Dionélis Santana é enfático: “Esse ato deve ser repudiado pela sociedade”.
O pedido de prisão
“O MP que pediu a prisão, a Polícia poderia ter feito e, não sei porque, não fez. É uma coisa inexplicável.”
“O MP teve que requisitar o inquérito, ou seja, dá uma ordem para trazer o inquérito para cá, para que eu pudesse anunciar, porque nem trazer para cá eles não queriam“.
“O processo tava com um prazo espirando em três meses. Inexplicavelmente, ninguém trouxe o inquérito para cá”.
“Eu Tive que requisitar. Depois que requisitei, a Polícia não tinha pedido a prisão. Eu que tive q pedi a prisão, com Dr. João, e o juiz decretou a prisão”.