
Todas as informações desta matéria são provenientes do audio gravado pelo companheiro Aelson Souza do jornal Bahia dia a dia

A cidade de Porto Seguro viveu nesta segunda-feira (1º de março) um dia de sobressalto, após os promotores de Justiça: Dioneles Leone S. Filho e João Alves da Silva Neto entregarem pessoalmente ao delegado Rodolfo Faro e ao comandante do Batalhão da PM na cidade, mandados de prisão contra os acusados do assassinato dos sindicalistas: Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira Santos, ocorrido em setembro do ano passado na cidade, e os mesmos fugirem.
O juiz titular da Vara do Tribunal do Júri de Porto Seguro, Roberto Freitas Júnior, decretou a prisão preventiva de Edésio Ferreira Lima Dantas, secretário de Governo e Comunicação da prefeitura de Porto Seguro, dos policiais militares: Sandoval Barbosa dos Santos, Geraldo Silva de Almeida - vulgo Caveirinha – e Joilson Rodrigues Barbosa, de Antônio Andrade dos S. Júnior e Danilo Costa Leite.
O mandado judicial não cumprido e causou revolta nos representantes do Ministério Público (MP), sendo que o promotor Dioneles, em entrevista coletiva, realizada na sede do MP, à tarde, trouxe ao conhecimento fatos que acusam as polícias Civil e Militar de terem tentado atrapalhar de todas as formas as investigações e descumprirem a ordem judicial.
Segundo Dioneles, a ordem de prisão contra os acusados foi emitida pelo juiz no dia 9 de fevereiro. Tendo sido enviada para ser cumprida pelo GAECO, grupo de combate ao crime organizado de Salvador. Entretanto, até ontem, os mandados não haviam sido cumpridos, sendo que o principal acusado, o secretário Edésio Lima, que teria sido o mandante dos assassinatos, esteve durante todo o período de Carnaval no camarote oficial do prefeito, em Porto Seguro, sob a proteção dos próprios policiais acusados de terem sido os executores dos sindicalistas.
Mas as acusações não param por aí. O MP acusa a Polícia Civil de ter tentado de todas as formas prejudicar a apuração. Segundo Dioneles, a polícia não quis, sequer, entregar o inquérito ao Ministério Público, que é o trâmite normal. “Nós tivemos que requisitar o Inquérito, ou seja, dar uma ordem para a polícia trazer o inquérito, porque não queriam mandar”. Além disso, tudo o que foi feito pelo MP, inclusive o pedido de prisão contra os acusados, poderia ter sido feito pela própria polícia, uma vez que as informações contidas nos autos autorizavam os pedidos de prisão. “Eu não entendo porque não foram pedidas as prisões. É uma coisa inexplicável”. E o promotor acrescenta: “Se o Ministério Público não estivesse presente nessa investigação, eu não tenho dúvida, essa investigação estaria fadada ao insucesso”.
Conluio de policiais com traficantes
Apesar de toda a trama que resultou no assassinato dos sindicalistas não ter sido ainda totalmente desvendada, o promotor relatou que o inquérito mostra o envolvimento de policiais civis e militares com traficantes. Segundo Dorneles, depoimentos existentes nos autos dão conta de que policiais teriam obrigado traficantes que estavam presos, participarem do crime.
Esse suposto conluio com traficantes e a própria empreitada para assassinar os sindicalistas teria sido levada adiante dentro da própria administração e custeada com recursos públicos, como afirma o MP.
Crimes em série
Outros crimes ocorridos na cidade depois do assassinato de Álvaro e Elisney teriam conexão. “Após a morte dos sindicalistas, os envolvidos passaram a ser executados sistematicamente: Antônio Marcos C. dos Santos, vulgo Pequeno, foi morto pelos comparsas Rodrigo, Júnior e Danilo, na tarde de 6 de dezembro de 2009. (...) Por sua vez, Danilo, que foi morto no dia 11 de dezembro, teria sido executado por Sandoval e Joilson. Itamar, um traficante de drogas que também estaria envolvido no crime, foi alvejado com 12 tiros no mês passado, sobrevivendo. “Júnior e Danilo, os únicos executores da morte que ainda estão vivos se encontram foragidos”, salienta o Ministério Público.
Durante a entrevista coletiva, indagado sobre o possível envolvimento das cúpulas das polícias Civil e Militar nas supostas tentativas de acobertar o crime, o promotor Dioneles respondeu que não pode dizer que sim nem que não, mas não descartou essa hipótese.
Já à noite, foi informada à imprensa, que cinco dos seis acusados se entregaram à polícia. Apenas o secretário Edésio continua foragido.
No acompanhamento desse caso, o Ministério Público estadual atua com o Dr. Dioneles e o promotor João Alves da Silva Neto, de Eunápolis.