
Por: Clícia Marinho
A audiência pública realizada nesta quinta-feira, 17, abordou os impactos em saúde, segurança do trabalho e meio ambiente causados pela cultura do eucalipto implantada há 17 anos no Extremo Sul da Bahia. O ato tem como objetivo levantar os problemas locais, e construir projetos que visem a solução desses casos. Na discussão estiveram presentes a coordenadora do FORUMAT (Fórum de Proteção de Meio Ambiente do Trabalho do Estado da Bahia) Ana Emília Albuquerque, Emerson Albuquerque, coordenador da Procuradoria do Trabalho de Eunápolis, os promotores de Justiça João Alves e Dinalmare Mendonça, e Renato Cezar de Almeida gerente regional do Ministério do Trabalho e Emprego de Teixeira de Freitas. Dividida em dois painéis, o primeiro com o tema “Trabalho e Meio Ambiente na Cultura do Eucalipto”, abordando especificamente as condições de trabalho no plantio de eucalipto e o serviço terceirizado.
A plenária era formada pelo Movimento de Luta Pela Terra, Movimento dos Sem-Terra, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Eunápolis e Medeiros Neto, Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Papel e Celulose da Bahia, trabalhadores de empresas florestais, representantes da Federação das Indústrias da Bahia (FIEB) e Associação dos Produtores de Florestas Plantadas da Bahia (ABAF), como também alunos do IFBA (Instituto Federal de Educação).
Em debate, as partes puderam expor seus questionamentos e argumentos, entretanto, a comunidade civil organizada e estudantes assumiram posto de total desaprovação à monocultura do eucalipto. O líder sindical dos trabalhadores rurais de Medeiros Neto Davino Oliveira fez um desabafo contando a realidade de trabalhadores rurais daquela região e qualidade dos empregos oferecidos pelas empresas florestais terceirizadas. Para Davino, os produtores estão sendo expulsos do campo pelo cultivo do eucalipto.
O coordenador estadual do MLT Juenildo Oliveira aproveitou o debate para reforçar a luta do movimento por terras devolutas do Governo do Estado na região, que segundo o movimento, muitas estão sendo ocupadas por plantio de eucalipto. Alunos do IFBA se posicionaram a favor do meio ambiente.
De acordo com Valton Pessoa, assessor jurídico representando a FIEB, as empresas terceirizadas são regularizadas diante das normativas da Constituição do Trabalho. Segundo Georgis Humbert, eventos desse tipo são relevantes e que cheguem a um bem social comum, mas frisou que o debate pudesse ser mais equilibrado entre as partes. Destacou ainda que o setor reafirma a responsabilidade em livre iniciativa, meio ambiente e justiça social, que são os principais fundamentos das empresas.