
A trajetória dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira e dos pilotos da FAB que provaram, nos campos e no ar da Segunda Guerra Mundial, que o Brasil soube lutar e vencer longe de casa
Por: Urbino Brito
Durante décadas, repetiu-se no Brasil a frase irônica de que “era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”. Pois a cobra não só fumou — lutou, venceu e escreveu seu nome na história da Segunda Guerra Mundial. Entre 1944 e 1945, soldados e pilotos brasileiros deixaram de ser uma promessa improvável para se tornarem protagonistas reais nos campos de batalha da Itália.
Este artigo é uma homenagem aos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e aos aviadores do 1º Grupo de Aviação de Caça, homens comuns que enfrentaram o inverno europeu, o fogo inimigo e o preconceito para provar que o Brasil sabia lutar.
A FEB na Itália: do descrédito ao respeito
O Brasil enviou cerca de 25 mil soldados para a Itália, integrados ao V Exército dos Estados Unidos. Muitos chegaram à guerra desacreditados — inclusive por aliados — mal equipados e subestimados. Mas o campo de batalha não respeita estereótipos. Ele cobra preparo, coragem e resistência.
E foi exatamente isso que os pracinhas entregaram.
O inverno, o terreno e o inimigo
Os brasileiros enfrentaram:
Temperaturas abaixo de zero, algo totalmente fora da realidade da maioria dos soldados;
Terreno montanhoso e fortificado;
Tropas alemãs experientes, incluindo unidades da Wehrmacht e da SS.
Mesmo assim, avançaram.
Monte Castelo: a vitória que mudou tudo
A Batalha de Monte Castelo tornou-se o maior símbolo da FEB. Após tentativas frustradas de forças aliadas, os brasileiros assumiram o desafio. Depois de meses de combates duros, em 21 de fevereiro de 1945, a FEB finalmente tomou a posição.
Essa vitória teve um efeito imediato:
Elevou o moral das tropas aliadas;
Silenciou o ceticismo sobre a capacidade dos brasileiros;
Transformou a FEB em força respeitada no front italiano.
A cobra, definitivamente, estava fumando.
Montese e Fornovo: combate urbano e rendição em massa
Em Montese, a FEB enfrentou um dos combates mais sangrentos de sua campanha. Luta casa a casa, artilharia pesada e resistência feroz. O preço foi alto, mas o objetivo foi cumprido.
Já em Fornovo di Taro, os brasileiros protagonizaram um feito histórico: forçaram a rendição de mais de 14 mil soldados alemães e italianos, incluindo um general inimigo. Foi uma das maiores rendições obtidas por uma única divisão aliada no teatro italiano.
“Senta a Pua!”: o céu também era brasileiro
Enquanto a FEB avançava em terra, o céu da Itália também ouvia português.
O 1º Grupo de Aviação de Caça, equipado com caças P‑47 Thunderbolt, realizou missões de:
Ataque a pontes, ferrovias e comboios;
Apoio direto às tropas em solo;
Interdição logística do inimigo.
O grito de guerra “Senta a Pua!” simbolizava agressividade, ousadia e precisão.
Números que impressionam
Mesmo sendo um grupo pequeno, os pilotos brasileiros:
Destruíram centenas de alvos estratégicos;
Tiveram uma das maiores taxas de sucesso entre os grupos de caça aliados;
Receberam elogios formais do comando americano.
Tudo isso com perdas significativas, que hoje são lembradas como símbolo de sacrifício e bravura.
O retorno e o esquecimento
Ao voltarem ao Brasil, muitos veteranos enfrentaram algo inesperado: o silêncio. Pouco reconhecimento oficial, pouca presença nos livros, quase nenhuma valorização cultural. A história da FEB foi, por muito tempo, tratada como nota de rodapé.
Enquanto Hollywood transformava outras tropas em lendas, os brasileiros que realmente lutaram ficaram restritos à memória dos próprios companheiros.
Por que lembrar é um dever
Lembrar da FEB não é saudosismo militar. É justiça histórica.
Aqueles homens provaram que:
O Brasil foi além da retórica;
Lutou fora de seu território;
Pagou com sangue o preço da liberdade alheia.
Quando a cobra fumou, ela não fez fumaça de propaganda — fez história real.
E quando os pilotos gritaram Senta a Pua, o eco atravessou os Apeninos e deveria atravessar gerações.
Que essa memória não dependa apenas de monumentos, mas de consciência. Porque um país que esquece seus heróis acaba aceitando que outros contem sua história por ele.
Ao final da guerra, em maio de 1945, os militares da FAB haviam realizado 445 missões, com um total de 2.546 saídas de aviões e de 5.465 horas de voo. Foram destruídas 1.304 viaturas motorizadas, 13 locomotivas, 250 vagões de estradas de ferro, oito carros blindados, 25 pontes de estrada de ferro e
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