
Visitante vindo de outro sistema estelar atravessou nossa vizinhança cósmica a mais de 200 mil km/h e despertou a atenção da astronomia mundial
Por: Iara Amaral
Pela terceira vez na história da astronomia moderna, cientistas identificaram um objeto vindo de fora do Sistema Solar atravessando nossa vizinhança cósmica. Batizado de 3I/ATLAS, o corpo celeste chamou a atenção da comunidade científica internacional por sua origem interestelar e por oferecer uma rara oportunidade de estudo sobre materiais formados em outros sistemas planetários.
O objeto foi detectado pelo sistema de monitoramento ATLAS, no Chile, e rapidamente se destacou por sua órbita hiperbólica, característica de corpos que não estão presos à gravidade do Sol. Diferente de asteroides e cometas comuns, o 3I/ATLAS apenas passou pelo Sistema Solar e seguirá viagem pelo espaço profundo, sem possibilidade de retorno.
As observações indicaram que se trata de um cometa interestelar ativo, liberando gás e poeira à medida que se aproximou do Sol, formando uma coma visível. Estimativas apontam que seu núcleo possui centenas de metros a alguns quilômetros de diâmetro, embora a medição exata seja dificultada pela nuvem de material ao seu redor.
Apesar do fascínio gerado, o 3I/ATLAS não ofereceu risco à Terra, mantendo distância segura durante toda a sua passagem. O que impressionou os astrônomos foi sua velocidade extrema, superior a 200 mil quilômetros por hora, típica de objetos vindos do espaço interestelar.
Assim como os anteriores ʻOumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019), o 3I/ATLAS reforça a ideia de que fragmentos de outros sistemas estelares cruzam o nosso com relativa frequência. Para a ciência, cada visitante desse tipo funciona como uma verdadeira cápsula do tempo, trazendo pistas valiosas sobre a formação e a composição de mundos distantes.