Moradores do Ponto Maneca ainda resistem ao plantio de eucalipto

Por: NossaCara.com
26/08/2007 - 20:57:00

O editor do jornal O Farol mostra ao Sr. Valdeci Ferreira a primeira matéria da série publicada no jornal Agronegócio e no jornal eletrônico Nossa Cara.com em 15/01/2007, sobre o problema do eucalipto nas comunidades rurais.

Alguns moradores da região do Ponto Maneca ainda resistem ao avanço do plantio de eucalipto pela multinacional Veracel Celulose. Citamos como exemplo dessa resistência a união de alguns pequenos produtores rurais que residem numa área de 30 hectares, lá, vivem e sobrevivem seis famílias, oriundas de uma herança deixada por uma antiga moradora daquela localidade. Tradicionalmente, essas famílias têm como principal renda familiar a produção de farinha de mandioca.

São cinco farinheiras trabalhando e que produzem mais de 14 mil quilos de farinha mensalmente. A escritura da terra deixada de herança ainda não foi desmembrada, todos os moradores são unânimes quando o assunto é plantio de eucalipto. “Se depender de nossa família, o maldito eucalipto aqui em nossas propriedades não terá vez”, afirma Arnaldo Figueira um dos proprietários. Arnaldo disse ainda que a Veracel já ofereceu, por quatro vezes a elevada quantia de R$220 mil pela propriedade de trinta hectares, gerando com isso um significante acréscimo do preço das terras naquela localidade.

Aqui o contraste em primeiro plano plantação de mandioca cultura de subsistência e no fundo eucalipto.


Mas até quando aquelas famílias irão agüentar? Será que com a necessidade de aumento do plantio de eucalipto com a previsão de duplicação da produção de celulose branca, principal produto da Veracel, a multinacional não aumentará a proposta de compra, daquela e de outras propriedades no entorno, extinguindo de vez com o tradicional Ponto Maneca? Não seria nenhuma novidade se isso viesse a ocorrer, pois algumas localidades já passaram e outras estão passando pela mesma situação.

Mandioca sendo colocada na máquina para ser limpa e depois ralada.

Mas nem só de farinha vivem as famílias que compõem a comunidade do Ponto Maneca, lá as terras são férteis e de tudo dá. Feijão, milho, batata doce e outras culturas brancas, além da criação de suínos, ovinos, caprinos, bovinos e aves. Conta o Senhor Valdeci Ferreira, também proprietário de uma parte da fazenda, que ele tem medo de ser obrigado a mandar seus filhos para a cidade... “Meus filhos estão acostumados com a vida tranqüila na roça, me preocupa o fato de ter que mandá-los para a cidade, onde a insegurança permeia solta e o estímulo ao uso de drogas e outros entorpecentes é uma conseqüência natural dos grandes bolsões de pobreza causado, especialmente com o êxodo rural, após a implantação da monocultura de eucalipto em nossa região”, lamenta Valdeci.

A mão-de-obra naquelas terras, tanto na fabricação de farinha,

Farinha sendo preparada e ensacada para ser vendida na cidade. 

quanto no manejo da terra, onde vai do preparo até a colheita é aproveitado dentre os moradores da própria comunidade, o que não deixa dúvidas de que, se o plantio de eucalipto avançar na região, nem só os pequenos proprietários serão prejudicados, mas todos os moradores da redondeza, especialmente os que sobrevivem apenas do trabalho braçal. Para onde iriam essas famílias? Certamente para os mesmos lugares onde centenas ou milhares delas foram; para os bairros periféricos, vivendo à mercê dos benefícios do governo.

É preciso dar um basta no plantio de eucalipto, mesmo sabendo que o processo Veracel se tornou irreversível depois de concluída a fábrica, mas ainda é tempo de conter o avanço do inferno verde. A sociedade organizada, autoridades e comunidade em geral, precisa se mobilizar enquanto resta um pouquinho de tempo para agir.
Fotos: Urbino Brito

Plantação de mandioca totalmente cercada pelo eucalipto.

Fonte/Autor: Gil Rocha - O Farol

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