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Presentes a coletiva os seguintes veículos de comunicação Nossa Cara.com, Eunanoticias.com, Sulbahia News.com, Site Popular.com.br, impressos O Farol, Correio do Sul e o Jornal Agora (Itabuna) sucursal de Eunápolis e o jornal O Sollo. |
A Veracel Celulose apresentou nesta última terça-feira (14) o resultado do estudo De Portas Abertas para o Desenvolvimento Sustentável, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O estudo, iniciado no segundo semestre de 2006, revela uma série de dados sobre os impactos da Veracel na economia nacional e regional. O encontro que aconteceu em Eunápolis, no auditório do Porto Nápolis Hotel reuniu os principais veículos de comunicação da 8ª região do Extremo Sul, área de atuação da empresa. A apresentação acabou sendo tumultuada, já que, os comunicadores unanimente discordaram do que foi apresentado pela Veracel.
Números versus realidade
O estudo foi encomendado pela própria Veracel, informação que só foi |
Ana Castelo consultora da FGV. |
divulgada após questionamento da platéia. Ana Castelo, consultora da FGV e responsável pela apresentação admitiu que a empresa emprega um número pequeno na fábrica. Ela justificou com a sofisticação da estrutura, que dispensa um número elevado de funcionários. O estudo informa que a empresa emprega de forma indireta e que ainda foi responsável por 19,2% dos postos de trabalho gerados entre 2003 e 2007, em sete municípios do Extremo Sul. Por outro lado, a pesquisa não levou em conta que esse período compreende a construção da fábrica, quando foi gerada uma média de 12 mil empregos. Com a inauguração em 2005, boa parte desses postos desapareceu. A fábrica emprega diretamente apenas 741 pessoas.
Segundo informações da consultora todos os dados utilizados na pesquisa são provenientes de fontes oficiais e da própria Veracel. Uma das críticas levantadas é a defasagem das fontes oficiais, que datam de 2004, quando a fábrica também ainda não existia. Ana Castelo rebateu informando que a FGV trabalhou com projeções.
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Melquiades Spindola do Cepedes uma das ONGS, mais combativas na questão do inferno verde da Veracel e Suzano Papéis durante seus questionamentos. |
Quando o tema é investimentos em projetos sociais, os números apresentados pelo estudo entram em conflito com informações fornecidas pela empresa em outros documentos. O Relatório de Sustentabilidade 2006, disponível no site da empresa, informa que entre 2004 e 2006 a empresa investiu R$ 25 milhões em projetos sociais nos municípios de sua atuação. Já a pesquisa da FGV divulga que em 2006 a Veracel gastou apenas R$ 1.362 milhão. Ao trabalhar com a cifra maior, no mesmo período, a empresa teria uma média de R$ 8 milhões para investir anualmente. O estudo da FGV também não levou em conta que os investimentos sociais eram um pré-requisito para o empréstimo feito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a implantação do complexo fabril.
Estratégia
Recentemente a Veracel Celulose deu início ao processo de |
Dr. Sérgio Alipio, presidente interino da Veracel, que ouviu todos os sem se pronunciar. |
certificação FSC, considerado o selo verde mais importante em nível mundial. O FSC trabalha com uma série de princípios e critérios fundamentados no conceito de empreendimento economicamente sustentável, ambientalmente correto e socialmente justo. A apresentação de um estudo realizado por uma instituição de credibilidade como a FGV nesse momento se apresenta como uma estratégia de facilitação e legitimação da certificação em processo, bem como de aproximação da comunidade. Mesmo assim, o discurso recorrente na apresentação foi de que a empresa deve de fato estreitar os laços com as comunidades afetadas pelo eucalipto. “Nós não vivemos de números, vivemos a realidade” detalha o advogado eunapolitano José Henrique Barbosa, presente na reunião.
Já para Melquiades Spinola, representante da ONG Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes), os números apresentados só maquiam a realidade. Ele ainda sugere que a FGV efetue nova pesquisa, realizando também visitas exploratórias na região. Segundo Ana Castelo a instituição em nenhum momento durante a pesquisa visitou o Extremo Sul da Bahia.
Fotos: Urbino Brito
Fonte/Autor: Luciana Oliveira