
Guimarães, Itamar, Simão, Valete e Raimundo dizem que Jussari estar em clima de terror, e temem que algo pior aconteça na cidade.
Sentindo-se já condenados perante a sociedade, por conta das divulgações que a mídia tem feito sobre o caso da morte do ex-prefeito de Jussari, Valdenor Cordeiro da Silva, 61 anos, estiveram na redação do Agora, quatro dos seis suspeitos apontados por uma testemunha à Polícia como os homens que foram vistos pulando o muro da casa do prefeito no dia em que ele foi encontrado morto em sua residência. O objetivo deles, dizem, é que a Justiça aja, para que assim possam provar a sua inocência. O grupo é formado pelo ex-vereador José Guimarães de Souza, juntamente com Itamar Monteiro, Simão Cavalcante Lucas e Raimundo Souza do Carmo, o Bem-te-vi. 
Além desses quatro, ainda são apontados como suspeitos Josivaldo de Almeida Cabral, o Diego do Capeta, que também teria sido visto pela testemunha pulando o muro da casa de Valdenor, no dia 2 de janeiro de 2005 – dia em que ele foi encontrado morto em sua residência –, e um sexto homem, conhecido como Roni, que não está na região. Diego do Capeta está preso no Complexo Policial de Itabuna há cerca de um mês, por conta de um mandado de prisão temporária expedido pelo juiz, André Luís Santos Brito. “Queremos que a Justiça dê um fim a esse impasse, e aponte os verdadeiros culpados. Se é que há”, destaca José Guimarães.
O grupo comenta que após o depoimento da testemunha – que eles identificaram como Valdelice –, que os apontou como suspeitos, suas vidas viraram um caos. O vereador Antônio Valete, também presidente da Associação das Câmaras de Vereadores do Sul da Bahia, esteve acompanhando o grupo e fez questão de dizer que teme que algo de ruim aconteça em Jussari. “A cidade vive um verdadeiro clima de terror por conta dessa situação. Temo que por causa desse crime de ficção, possa haver um crime de verdade”, assinala. Itamar Monteiro completa informando que por conta disso, o grupo entrou com uma ação na Justiça. “Queremos que Valdelice responda na Justiça pelo falso testemunho que fez contra nós”, diz.
José Guimarães, Itamar Monteiro, Simão Lucas e Raimundo do Carmo também salientam que há manipuladores de testemunhas, agindo com a intenção de incriminar o grupo. “Por questões políticas, até o colega vereador, Jessé Bispo, foi pressionado por um empresário forte na cidade e por um outro vereador – ambos com fortes ligações com a família Valdenor Cordeiro”, diz Antônio Valete.
Depoimento
Sobre o suposto envenenamento de Valdenor Cordeiro, o grupo questiona o motivo do segurança de Valdenor não ter sido convocado para depor. “Josivaldo está preso, mas se a Polícia quisesse prender alguém deveria prender o segurança Dil de Mateus, já que ele estava na porta da casa de Valdenor no dia em que ele foi encontrado morto”, acusa Raimundo do Carmo.
Simão Lucas, que é cunhado de Diego do Capeta, lamenta o fato de ele ter passado por constrangimentos no Complexo Policial. “Há poucos dias eu fui visitar Josivaldo, quando de repente fui abordado por alguns policiais por conta de uma falsa denúncia feita por dois irmãos de Valdenor. Eles também estavam na delegacia e disseram que eu teria ameaçado eles de morte. Minha sorte foi que eu estava em local público e todos viram que eu não fiz nada disso”, relata.
Inocência
Sobre as acusações que estão sendo feitas, os quatro suspeitos foram enfáticos ao citar o local em que eles estavam no dia em que Valdenor foi encontrado morto. “Eu estava em Santa Cruz da Vitória quando soube da notícia. Pensei em me deslocar para Jussari, mas me informaram que seria melhor eu não ir, pois eu estava sendo acusado de envolvimento na morte de Valdenor”, explica José Guimarães, comentando que a partir daí, todos da cidade passaram a dizer que ele estava foragido.
Itamar Monteiro conta que estava em Itapé, e Raimundo do Carmo, o Bem-te-vi, estava em Jussari. Simão Lucas também diz que estava na cidade, se divertindo em um clube. “Populares quiseram invadir o local sob a argumentação de que estávamos comemorando a morte de Valdenor, por sorte não deixaram. Só queremos que os fatos sejam esclarecidos, pois nós temos testemunhas de onde estávamos no dia 2 de janeiro de 2005, inclusive o Josivaldo, que está preso”, frisa.
Corpo
Raimundo do Carmo fala ainda sobre a posição em que o corpo de Valdenor foi encontrado. “A notícia da morte surgiu às 16 horas, mas a equipe do DPT de Itabuna chegou ao local por volta das 21 horas. Durante todo esse tempo pessoas entraram no quarto dele, o colocaram inclusive no colo tentando reanimá-lo”, revela.
O ex-vereador José Guimarães faz questão de salientar ainda sobre um outro fato. Ele conta que no início de março esteve em Salvador, juntamente com os vereadores Antônio Valete e Daniel Matias, além de uma representante da deputada federal Alice Portugal, para participar de uma audiência com o chefe da Polícia Civil, João Laranjeira. “Ele foi o delegado responsável pela apuração do caso e nossa intenção foi ter informações sobre a conclusão do inquérito. Mas ele nos disse que o laudo ficou inconcluso pelo fato de o coração de Valdenor ter sido encaminhado para Salvador faltando um pedaço”, afirma, completando que recebeu a informação ainda de que no exame foi constatada a presença de uma substância similar a tinta. “Ele só não disse se essa referida substância seria capaz de matar um ser humano. Por conta desses problemas, ele nos disse que não teve como indiciar ninguém”, encerra.
Matéria e foto extraida do site do Jornal Agora
Fonte/Autor: Jornal Agora - Itabuna