
A Casa de Apoio de Itagimirim, a 600 km de Salvador, é um espaço destinado a atender pessoas especiais. A instituição da Casa foi uma decisão política, em razão de o município possuir dezenas de cidadãos com a saúde mental comprometida, mas não ter habitantes suficientes que justifique a instalação de um CAPS. O transporte para o atendimento em municípios como Eunápolis e Itabuna, mostrou-se pouco eficaz e muito dispendioso. 
Uma parceria entre o poder público e os comerciantes da cidade, implantou uma estrutura capaz de atender 18 pessoas, dentre as quais, seis crianças que recebem orientação pedagógica e musical. Em uma sala de aula, as crianças se desenvolvem social e cognitivamente pelas mãos das professoras Maria D’Juda de Jesus e Jéssica Meneses das Silva.
“Objetivo é estimular a criatividade deles e mostrar para a sociedade que eles são normais e conseguem fazer as mesmas coisas que as outras crianças”, diz a professora D’Juda, que trabalha a coordenação motora de seus alunos com pintura e colagem. Segundo a Professora, alguns já conseguem assinar o nome, colar com perfeição e pedir comida, por exemplo.
As condições de trabalho não são precárias, mas são limitadas. Não há equipamentos especiais e nem orientação pedagógica dirigida para pessoas especiais. O principal, instrumento, segundo a professora, “é o amor”. Lápis, caderno, revistas para colagem e emborrachados são os materiais com que a professora faz florescer o interesse dos estudantes e dos pais. Segundo D’ Juda, “trazem elas, perguntam como está o desenvolvimento e verificam os cadernos”.
Às quartas-feiras, os pacientes têm aulas de música com a professora Jéssica. Segundo ela, a participação é geral e animada. “Eles gostam de fazer barulho e procuram qualquer coisa para bater e fazer um som”. As professoras produziram chocalhos com os quais acompanham as melodias que Jéssica tira de seu teclado. Segundo a professora, os pacientes ficaram mais alegres e comunicativos com a introdução da música no dia a dia da casa de apoio. “Antes tínhamos dificuldades de fazer alguma atividade de dança, mas agora é difícil faze-los parar”.
Durante o primeiro ano de funcionamento da Casa, os pacientes chegavam às 07:30h e saíam às 17:30h, cumprindo a rotina de medicamento, alimentação, sono e banho. Apesar de ser incomparavelmente melhor que ficar na rua, à mercê de todo tipo de tratamento, desde o mais gentil e respeitoso, até o mais preconceituoso e desumano, com a inclusão das atividades didáticas de música e sala de aula, os pacientes têm alguma perspectiva de inserção social.
É nesse sentido que pensa a atua a gestora da Casa de Apoio, a Técnica em Enfermagem, Libna Silva. “Temos cuidados fisiológicos e psicológicos, pois toda a estrutura social e familiar interfere no tratamento. Envolvemos a família, colaborando para solucionar seus problemas de saúde social e fisiológica”, afirma Libna.
O maior problema enfrentado pela Casa é o preconceito. De um lado, ele vem da comunidade, que não compreende o quanto as pessoas especiais são produtivas, criativas e amorosas e, por conta de uma ignorante cegueira, alijam pessoas do processo de transformação social a que estamos todos submetidos. Por outro, o preconceito vem da família travestido de proteção ou “impaciência” para lidar com pessoas cuja sensibilidade está muito além de pessoas ditas normais.
Fonte/Autor: Assessoria de Imprensa / PM-Itagimirim