São José da Vitória está incrustada ao pé de um morro coberto de cacau e árvores nativas da Mata Atlântica. A principal atividade econômica – o cacau, é também o responsável pela preservação de extensas áreas de mata. Com a vassoura de bruxa a produção de cacau caiu drasticamente, mas ainda se mantêm como mola propulsora da economia, não só de São José, como de todo o sul da Bahia.
Se o cacau preservou a mata, manteve também a maneira simples de tocar a vida. Fogões de lenha, lavadeiras do Rio de Una e peões do cacau são comuns na cidade. As fazendas de cacau são bastante acessíveis e numa visita rápida são encontradas espécies como o vinhático, jequitibá rosa, pau sangue, gameleiras, putumujú e sapucaieiras. À vista também se apresentam plantas menores como orquídeas, samambaias e bromélias. As roças de cacau são cortadas por inúmeros cursos de água limpa e refrescante.
Beleza ameaçada
A simplicidade do povo também revela as mazelas que a decadência do cacau ainda causa. Apesar dos investimentos do poder público municipal, São José da Vitória é uma cidade carente de serviços básicos como cobertura para celular e Internet, educação, saúde, bancos, hospedagem e outros. Realidade que também atinge outras localidades vizinhas. A falta de planejamento no passado se reflete agora num contexto cruel para a |
Cacau sendo secado em uma barcaça pela ação do sol. |
população que é obrigada a se deslocar em busca de qualidade de vida.
A preservação de matas e rios também está ameaçada. O Rio de Una está assoreado e cada vez mais poluído no trecho urbano, já que, São José não possui rede de saneamento básico. A ausência de outras atividades econômicas como saída para a crise do cacau, coloca em perigo o que sobrou da Mata Atlântica.
Fotos: Urbino Brito
Fonte/Autor: Luciana Oliveira