"Louco do Pan" encara assadura, bolhas e roteiro do patrocinador

Por: NossaCara.com
31/05/2007 - 12:50:00

28/05/2007 - 09h38
UOL Esporte
Felipe Mendes

Após guerrear em Tróia, Ulisses enfrentou ciclopes, monstros, sereias fatais, maremotos e até deuses como Poseidon para retornar a sua Ítaca natal. A narrativa "Odisséia", de Homero, ganhou uma versão marqueteira e reduzida especialmente para o Pan deste ano. No lugar de seres fantásticos e forças naturais, o herói enfrenta assaduras na coxa e bolhas no pé.
No dia 4 de abril, Rodrigo Ferreira saiu de Brasília para vagar por diversos cidades. Não se trata mais do Odisseu, mas de um jovem brasiliense em uma aventura muito menos heróica. Ele decidiu sair andando até a capital carioca.

Insanidade se vista a olho nu, analisada calmamente a aventura se mostra um projeto muito bem pensado. Auto-intitulado "Louco pelo Pan", o jovem, que é jornalista e publicitário, também conseguiu proteção para sua empreitada. No lugar da deusa Atena que apoiou Ulisses, o brasiliense tem a ajuda da Caixa Econômica Federal, que lhe deu um cartão de crédito com o dinheiro necessário para tênis, roupas, comida, medicamentos e hotéis. Há também, um carro de apoio que lhe acompanha enquanto está na estrada e o transporta até os hotéis e às cidades onde realiza ações sociais associadas a campanhas de marketing.

Tal sacrifício tem tamanho aproximado: 35 km por dia. Os revezes deste "Ulisses às avessas" são muito diferentes: "Meu principal problema é com o clima. Também tive muitas bolhas nos pés, mas agora sinto mais dores no joelho e tornozelo". Além disso, a falta de orientação técnica lhe rendeu um incômodo: uma assadura entre as pernas. O motivo? Rodrigo usava cuecas para caminhar. Depois de expor o problema no blog que atualiza diariamente, foi alertado por um dos leitores: "Agora uso uma bermuda térmica. De cueca, me asso e me arrebento todo". Há mais diferenças entre o herói grego e o brasiliense. Ulisses enfrentou o Cliclope. Rodrigo correu do cachorro: "Fui obrigado a fugir de um cachorro. Ele largou o dono dentro de uma plantação ao lado da estrada e veio latindo até ficar a um palmo de mim. Quando já tinha certeza de que seria mordido ou atropelado o dono conseguiu chamar a atenção do enorme cão. Mesmo assim continuou rosnando", conta no blog. Mesmo com os azares, o "louco" não reclama: "Estou muito bem amparado. Saí com uma quantia que administro da forma que eu quiser", conta ele ao revelar prudência nos gastos, "às vezes ficamos em hotéis bem baratos, só para dormir mesmo. O mais barato até agora saiu por 26 reais, para duas pessoas", disse ele ao UOL Esporte. O dinheiro também ajudado o "louco" a se divertir. Diversões bastante convencionais, como cinema, shows de música e até um rodeio. Como exigência pelo patrocínio, há ainda, algumas cidades que a Caixa obriga Rodrigo a visitar, como Ribeirão Preto, Uberlândia, e Florianópolis, no sul do país. O trajeto entre Brasília e o Rio (um total de 1148 km), que poderia ser cumprido em um mês, passou a ter 3646 km, em 100 dias de caminhada. A explicação do próprio "louco" para uma trajetória tão extensa é que se trata de uma caminhada para "chamar atenção da mídia para o esporte como forma de inclusão social". Uma nobre causa, mas, depois de ter vencido 1.500 km, ele revela: "Não posso dizer que não pensei em Floripa como limite para visitar as belas praias da região e conhecer belas mulheres."Também é no blog, que Rodrigo publica suas reflexões e desventuras, frutos das passadas desacompanhadas. Como o próprio louco escreve: "A cada passo, uma nova idéia. Um novo tema a ser debatido. Com quem? Comigo mesmo”. Uma das idéias que ainda não está no blog, mas anda passando pela cabeça de Rodrigo é a o que fazer depois que a caminhada e a fama momentânea terminar. "Espero que até lá a figura do ‘Rodrigo´ já esteja conhecida", conta ele dizendo que pretende fazer a cobertura jornalística do Pan. "Depois disso, voltar o mais rápido possível para casa". Os planos não param por aí: "Pelo menos, um livro sai. Se de causos, esporte ou de superação pessoal, ainda não sei". Louco ou não, ele parece saber muito bem como será o final da história: "Talvez o esporte não tenha mudado. Eu é que mudei mais. Isso é muito bom para mim como jornalista e publicitário. No fundo, essa promoção pessoal é que é lucrativa".

Já para a Caixa é mais uma divulgação de sua marca no evento esportivo que é bancado quase totalmente por dinheiro estatal. O banco gastará um montante R$ 271,1 milhões, a maioria deles para financiar a construção da Vila Pan-Americana (R$ 189 milhões). Nas modalidades, gastará R$ 10,5 milhões com o atletismo, R$ 1,8 milhão para a ginástica e R$ 300 mil para a luta. Para o "Louco do Pan", dispensou 12 mil reais. Isso para não falar dos seguros...

Materia e foto extraída do site www.uol.com.br

Fonte/Autor: Felipe Mendes - Uol esportes

PUBLICIDADE

Últimas Notícias



PUBLICIDADE

Copyright © 2003 / 2026 - Todos os direitos reservados
NossaCara.com é propriedade da empresa Nossa Cara Ponto Comunicações e Serviços Ltda.
CNPJ: 07.260.541/0001-06 - Fone: (73) 98866-5262 WhatsApp