"Americanas vai para a bacia das almas e vai levar consigo Via (VIIA3) e Ambev (ABEV3)", diz CEO da Empiricus Research

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12/01/2023 - 18:14:07

Na noite da última quarta-feira (11), investidores foram surpreendidos com uma notícia nada agradável sobre as Lojas Americanas (AMER3). Em uma análise preliminar, a varejista informou que foram detectadas inconsistências contábeis da ordem de 20 bilhões de reais.

A cifra é maior que o valor de mercado da Americanas, que até a divulgação da notícia era avaliada em cerca de 10 bilhões de reais na bolsa. 

Entre as inconsistências, estão operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem nas quais a companhia é devedora perante instituições financeiras, e que não se encontram adequadamente refletidas nas contas de fornecedores nas demonstrações financeiras.

Segundo a varejista, não é possível determinar todos os impactos das inconsistências na demonstração de resultado e no balanço patrimonial da companhia.

Como resultado, as ações estão com preço no leilão a R$ 3, o que representa uma queda de 75% em relação ao fechamento da véspera.

Após o “rombo”, o presidente-executivo, Sergio Rial, renunciou ao cargo na companhia 10 dias depois de ter assumido. Além dele, o novo diretor de relações com investidores, André Covre, que também tomou posse em 2 de janeiro, pediu demissão.

E agora, para onde vão as Lojas Americanas?

Qual é o tamanho do problema das Lojas Americanas?

Para Felipe Miranda, CEO e estrategista-chefe da Empiricus Research, o “rombo” da Americanas pode ir muito além dos 20 bilhões de inconsistências contábeis. “Estou há 25 anos comprando ações e nunca tinha visto algo dessa magnitude no Brasil. A reação das ações hoje deve ser extremamente negativa”, afirma. 

Logo pela manhã, ele gravou um vídeo para seus seguidores em um grupo do Telegram com comentários sobre o ocorrido. Eu assisti ao material na íntegra e trouxe os destaques para os leitores, com orientações dele para o investidor brasileiro.

Na opinião de Felipe, a magnitude exata que o “rombo” detectado terá para as Lojas Americanas ainda é difícil de estimar. Para o analista, isso vai depender de como as coisas vão evoluir ao longo do dia. No entanto, os sinais não são nada auspiciosos.

“Para negociar no múltiplo que a Americanas está hoje, seria preciso sair de 12 para 4 reais, isso é uma queda de 60%. A companhia tem 8 bilhões no caixa, 14 bilhões de patrimônio líquido e 20 bilhões de baixas contábeis. Estamos falando de um patrimônio negativo de 6 bilhões, complicado… Ela precisa chamar capital urgentemente” – Felipe Miranda, CEO da Empiricus Research

O problema, porém, é como conseguir atrair capital depois de uma notícia como essa. “Se ela for fazer isso no mercado, vai ter que chamar lá na bacia das almas, porque agora há uma mancha indelével na história da companhia. Então vai sobrar para o controlador. Ele terá que decidir qual legado vai querer deixar”, explica Felipe.

E, como se não bastasse tudo isso, o analista recorda que o “rombo” financeiro mexe não apenas com os resultados da empresa, mas afeta a alavancagem financeira do grupo todo.

Não é só Americanas… Ambev e Via também ‘entraram pelos canos’

Embora já tenha tido as ações das Americanas em carteiras da casa, hoje a Empiricus Research não tem recomendações para a varejista, nem de Long (compra) e nem de Short (posição vendida).

No entanto, Felipe destaca que o rombo detectado na Americanas não impacta apenas a própria empresa e também respinga em papéis que os controladores tenham e em pares do mercado. 

Pensando nisso, o analista destaca dois nomes de peso na bolsa que devem sentir os efeitos negativos das Lojas Americanas: Ambev (ABEV3) e Via (VIIA3).

A Ambev tem como controladora a 3G Capital, cujos sócios, Jorge Paulo LemannMarcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, são acionistas de referência das Americanas. 

Já no caso da Via, Felipe acredita que o mercado pode passar a ter desconfiança da companhia: “já teve um problema trabalhista envolvendo a Via, que era só um e virou três”.

Consequentemente, a desconfiança de investidores nas ações da Via e da Americanas pode beneficiar as ações do Magazine Luiza e Mercado Livre. “Americanas quebrou e não vai ter como competir com essa turma.  Pode ser bom para Sequoia também, que não opera com Lojas Americanas, mas opera com os demais, e mostra assertividade da operação”, afirma.

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