Jornalista que viveu tragédia militar na década de 80 em Guaratinga lança livro inédito na 26º Bienal de São Paulo

Por: Por: Redação
30/06/2022 - 16:17:48

Por: Redação

O escritor e jornalista baiano Athylla Borborema, que na infância e adolescência morou na vizinha cidade de Guaratinga, onde foi vítima de uma tragédia traumática no pleno Regime Militar, lança sem economia de registros e interpretações um novo livro, com o título: “1500 – O Brasil a partir da Foz do Rio Cahy” sobre a estimulante história que levou os portugueses a se aventurarem pelo mar, nas terras tropicais da Bahia ao cair da tarde do dia 22 de abril de 1500, em busca de um Porto Seguro. A obra é lançada na 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2022 e, é parte das comemorações dos 100 anos da 1ª Semana de Arte Moderna de São Paulo e os 200 anos da Independência do Brasil.

A programação da 26ª Bienal entre os pavilhões branco, azul, verde e vermelho pretende ser multicultural, abrangente e mesclando literatura, gastronomia, cultura, negócios e muita diversão. Portugal é o país homenageado desta edição e que escolheu como mote da sua participação a frase “É urgente viver encantado”, do escritor Valter Hugo Mãe. Conforme Vitor Tavares, presidente da CBL – Câmara Brasileira do Livro, em nove dias, o evento espera receber 600 mil visitantes nas 1.500 horas de programação cultural e nove espaços oficiais da Bienal com atividades relacionadas ao universo literário, divididas entre 182 espaços de exposições.

O novo livro de Athylla Borborema é um lançamento da Editora Lura de São Paulo e o autor participa de uma intensa programação de palestras e rodas de conversas nos dias 07, 08 e 09 na 26ª Bienal e, por fim, estará autografando o livro a partir das 13h de domingo, dia 10 de julho. O valor histórico e literário da Carta de Pero Vaz de Caminha sobre nossas origens é o topo do tema do livro de Athylla Borborema. O autor trabalhou minuciosamente durante 22 anos para concluir a obra, uma ideia que lhe movia desde muito jovem e com os olhos e ouvidos de perito com uma longa experiência na grafotécnica e na documentoscopia forense, aliou seu sonho de periciar a singular história nas riquezas de detalhes existentes, colocando em prática o seu tirocínio jornalístico de repórter inquieto, que foi o bastante para dedicar a obra com todo fascínio que lhe acompanhou desde criança pela história do nascimento do Brasil.

Quem é Athylla Borborema

Athylla Borborema Cardoso é um jornalista, radialista, publicitário, contista, romancista, doutrinador forense e jornalístico, biógrafo, roteirista, documentarista e um perito com grandes contribuições às ciências jurídicas do Brasil, com mais de 30 livros publicados, todos campeões de vendas e premiados no mundo inteiro, na lista das obras mais recomendadas da literatura nacional, considerado um dos escritores mais inovadores e originais de seu tempo, influenciando milhões de pessoas ao longo de uma trajetória literária e jornalística com mais de três décadas no Brasil e um grande aficionado da educação através da arte e da literatura, além de um preeminente defensor da cultura do nordeste do Brasil. Tanto que agora apresenta “1500 – O Brasil a partir da Foz do Rio Cahy” – onde, você fará uma viagem de mais de quinhentos anos ao passado e retornará exatamente ao grande momento histórico em que Pedro Álvares Cabral aportou ao Brasil com sua frota naquela tarde de quarta-feira do dia 22 de abril de 1500.

Athylla Borborema, embora seja natural do município de Prado e radicado em Itamaraju desde os 6 anos de idade, viveu parte da infância no município de Guaratinga, mas, precisamente no povoamento de Barra Nova. E aos 12 anos de idade, o futuro escritor, foi voluntariamente vítima da Ditadura Militar (1964-1985) ao lado do seu pai e a ele nada foi poupado aos olhos de uma criança. Em plena Ditadura Militar seu pai João Neves Cardoso, com 52 anos, em setembro de 1983, acusado de possuir um livro manifesto sobre a Intentona Comunista, teve a sua casa invadida pelas forças militares armadas, torturado e alvejado com dois tiros na clavícula, abdômen e um terceiro tiro explosivo na perna esquerda.

A esposa foi amparada por vizinhos e Athylla Borborema Cardoso, filho único e ainda criança, se jogou à frente do pai, lutou contra policiais, puxando-os pelas pernas, mordendo suas mãos e gritando “Não pode bater no papai, não pode” tentando impedir que o pai fosse fuzilado até a morte e ambos totalmente massacrados foram raptados e jogados sobre a carroceria de uma Caminhonete Toyota e levados para à cidade de Guaratinga, onde foram jogados numa cela da Cadeia Pública, na Rua Marcionílio Chaves. Seu pai apanhou tanto, a ponto de considerar a morte bem-vinda.

À noite e a madrugada foram as mais longas de suas vidas sob uma cela fria em meio a perda de muito sangue e, o menino promovia procedimentos utilizando panos molhados, orientado pelos presos das celas vizinhas, para que o pai não morresse de hemorragia. No meado da manhã do dia seguinte, um grupo de evangélicos e outros populares liderados pelo prefeito da época Antônio José da Costa, mobilizados pela cena de horror e covardia perpetrada no início da noite do dia anterior no povoado de Barra Nova, submergiram a Cadeia Pública de Guaratinga e resgataram a criança e o pai e os trouxeram para o Hospital Regional de Eunápolis. Onde o pai do futuro jornalista, permaneceu 17 dias em coma e 72 dias internado, até que um certo dia a repressão militar invadiu o hospital e sequestrou João Neves Cardoso.

O menino Borborema peregrinou por 1 ano e 6 meses entre o coma, a hospitalização e a prisão, até que alcançou a tão esperada libertação do seu pai das mãos da repressão militar, três dias após a extinção do regime. Finalmente, na sexta-feira do dia 15 de março de 1985, acabava no Brasil o massacre da vida de muitos brasileiros que já durava 21 anos e acabava também a tortura de 18 meses do pequeno Athylla Borborema, agora já adolescente com 14 anos. E 72 horas depois, na segunda-feira do dia 18 de março de 1985, foi possível um alvará de soltura expedido pela então recém-chegada juíza Ivete Caldas Freitas Silva Muniz, da comarca de Porto Seguro, determinar a imediata soltura do seu pai da cadeia pública de Guaratinga, cuja decisão mas pareceu uma poesia que de grande valor literário, com ela foi possível, materializar as covardias praticadas durante a Ditadura Militar, cujo erro só foi corrigido em 13 de novembro de 2002, a título de indenização pelo governo brasileiro.

O episódio lhe rendeu traumas e mais ainda inspirações, torturado na infância -, física e psicologicamente, passou a sua adolescência com pavor de policiais de farda, a sua revolta modifica-se, ao integrar a turma de 1989 do curso de jornalismo da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, onde resiste a sua história traumática, tolera a vulnerabilidade, persiste no sonho de ser jornalista e persegue seu espaço, quando é orientado pelos professores Antônio Albino Canelas Rubim, Marcos Silva Palácios e Felippe Serpa, a fazer dos seus traumatismos da infância uma obra de arte.

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