
Para os amantes de esportes ao ar livre o Parque do Gravatá em Eunápolis é a única opção, mesmo com uma infra-estrutura precária. Preocupações com a saúde, qualidade de vida e formas de manter o corpo são temas cada vez mais presentes na vida das pessoas. Um corpo em forma, apresentando belas curvas e músculos definidos, parece ter se tornado o objeto do desejo de muitos. Esses anseios refletem essa sociedade de consumo na qual o corpo se coloca como vitrine e condição para aceitação. Assim, academias, clínicas de estética e espaços para prática esportiva foram alçadas a point de gente em busca da perfeição física. 
Todas os freqüentadores do Parque do Gravatá ouvidos nessa quarta-
feira (01) afirmam utilizarem o local apenas em busca de qualidade de vida. O parque fica na saída da estrada da Colônia e leva esse nome por estar na mesma área da nascente do córrego Gravatá. O projeto é antigo, teve início a três gestões atrás e só se concretizou numa parceria com a empresa de celulose Veracel e atualmente é bastante utilizado para caminhadas. 
Agradável, mas com ressalvas
O local foi considerado muito agradável por todos os entrevistados. Apesar de ser o único espaço para caminhadas, as críticas à manutenção são muitas. Joelma Maria Fonseca, 38, reclama da falta de reposição das lâmpadas dos postes. Já o contador Carlos Amorim, freqüentador há dois meses, além dessas falhas destaca a insegurança do local e aconselha utilizá-lo apenas em determinados horários, menos perigosos. A iluminação precária afeta principalmente as pessoas que utilizam o parque à noite e a manutenção das lâmpadas é tarefa da prefeitura. 
Natanael Braga de Carvalho, 42, faz caminhadas há mais de dois anos
e aprova o lugar. "Eu acho que o parque é um dos melhores empreendimentos já implantados aqui em Eunápolis nos últimos tempos" detalha. Por outro lado não deixou de indicar algumas irregularidades. Uma queixa constante, não apenas do Natanael, é a parca existência de área verde. Predominam apenas árvores de pequeno porte. O mais indicado é um plano de reflorestamento do local a partir de espécies variadas da Mata Atlântica. Natanael também criticou a pesca realizada num lago existente no parque, especialmente cágados, tipo de réptil parecido com uma pequena tartaruga. "Alguns pescadores são moradores dos arredores" afirma. Ele acredita que com alguns melhoramentos o espaço se tornará um local ideal para cuidar da saúde e apreciar a natureza. "É gostoso aproveitar a natureza pela manhã ou à tarde" resume. 
O Parque do Gravatá é de propriedade da prefeitura que é também quem administra o local. Muitas pessoas sugeriram a criação de mais áreas como essa. "Eu acho que não deve ser um privilégio só do pessoal do Centro" detalha Carlos Amorim. Idéias é o que não falta. Calçamento e sistema de drenagem para as estradas e implantação de aparelhos para ginástica e alongamento foram as mais freqüentes.
Poluição
Apesar de nenhum entrevistado ter citado, o parque faz parte da zona de nascente do córrego Gravatá. Nascentes ou olhos d’água são consideradas Área de Preservação Permanente (APP) de acordo com a Lei nº 4.771 do Código Florestal. Toda a biodiversidade desses locais deve ser preservada, cobertos ou não por vegetação. 
Apesar do dispositivo legal, essa área está bastante degradada. A
cobertura vegetal foi retirada, sobrando apenas algumas árvores pequeno. O mais grave é a utilização da área de nascente como depósito de lixo e entulho. A situação tende a piorar se nenhuma ação inibitória for tomada, já que a nascente está localizada numa área que está se urbanizando vertiginosamente. Mas, se a situação do olho d’água é crítica, a do córrego é pior ainda. O Gravatá corta a cidade, atravessando alguns bairros. O local onde ele é mais visível é entre o Pequi e o Moisés Reis, ligados por uma ponte. O que se percebe é um esgoto a céu aberto e não um córrego. 
Eunápolis apresenta um leque grande de problemas ambientais. Nesse momento em que a cidade se lança ao desenvolvimento é necessário pensar formas sustentáveis e planos de recuperação de áreas degradadas. Afinal, o Parque do Gravatá, local onde as pessoas vão buscar qualidade de vida, é ponto de partida de um dos cursos de água mais poluídos do município.
Fotos: Urbino Brito
Fonte/Autor: Luciana Oliveira