Implantada há mais de 16 anos a Roça do Povo ainda enfrenta problemas sérios como a falta de água encanada. Há cerca de seis anos a questão parecia chegar a uma solução quando foi iniciada obra de um poço artesiano. Apesar de o poço ter sido aberto a obra até agora não foi concluída. A maior parte das famílias do lugar abastecem suas casas com água sem tratamento proveniente de cacimbas e pequenos poços artesianos.
Segundo Aldir Adão Pacanhã, dono de uma propriedade na Roça do Povo, a verba para a finalização da obra já foi liberada pelo governo do Estado. Ele afirma que são cerca de R$ 47 mil através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR). Aldir reclama da postura do presidente da associação comunitária da Roça do Povo, Wesley Freitas do Lavrador. Ele afirma que Wesley além de não se esforçar para resolver o problema está ainda esperando uma posição da instituição para dar inicio às obras. Para ele a finalização do poço já devia ter começado.
Mas de acordo com Wesley, que já está a frente da associação faz dois anos, Aldir está bastante desinformado. Wesley informou que o valor total a ser repassado são R$ 52 mil e que contará ainda com mais 10% de contrapartida da associação. Até agora já foram depositados R$ 23 mil para a primeira etapa. O presidente reconhece a demora da obra, mas diz que em seus dois anos de mandato sempre se mobilizou para agilizar a finalização, indo algumas vezes ao escritório regional da CAR em Itabuna e também em Salvador. Nesse período foram elaborados projetos de instalação submetidos à análise da entidade. Ele também alega que o processo é lento por ser bastante criterioso.
A liberação da primeira parte da verba aconteceu em novembro de 2006, mas Wesley justifica a mudança de governo para a demora das obras. Com isso o projeto deve passar por novas vistas. Toda a comunicação entre CAR e associação é direta, sem passar pelo intermédio da Prefeitura. Sobre o não esforço em resolver o problema Wesley se defende. “Eu vou tirar xerox da conta de telefone e mostrar o quanto já foi feito de ligações para a CAR em Itabuna e Salvador”.
As obras, que deverão acontecer em três etapas, consistem em instalação de tubulação tanto para captação e distribuição de água. É necessário também construir uma instalação e um reservatório com capacidade para 10 mil litros. A última etapa é a rede de distribuição da água que deverá atender uma média de 25 famílias, número bem distante das 119 famílias apontadas por Aldir. O poço apesar de ser urgente não resolve o problema da falta de água na Roça do Povo, já que, segundo Wesley a região onde a situação é mais critica continuará sem água. Ele ainda informou que para estabelecer outro projeto de abastecimento de água é preciso finalizar esse.
Todos os moradores ouvidos pelo Nossa Cara reclamam da dificuldade em relação ao abastecimento de água. Para Macário da Silva, 71 anos, a falta de água dificulta a produção de hortaliças, umas das principais atividades realizadas em sua propriedade de cerca de 1,5 hectares. Já o agricultor Delvino de Almeida Larceda gastou R$ 900 na tentativa de resolver o problema da água em sua área, mas reclama que só teve prejuízo.
A intenção da associação é finalizar a obra o mais rápido possível. A |
O presidente da Associação da Roça do Povo Wesley, sendo entrevistado pela nossa repotagem. |
empresa que executará o serviço será a eunapolitana Contral. Ela aguarda apenas uma ordem de serviço da CAR. Quando questionado sobre as afirmações de Aldir, que chegou a utilizar uma emissora de rádio, Wesley foi taxativo. “Ele se equivocou no valor e esse dinheiro não volta, está sendo corrigido. O Aldir não participa de nossas reuniões, tem uma propriedade aqui, mas mora na cidade”. Wesley informou que Aldir chegou a ficar no cargo de presidente da associação por apenas um ano, sendo expulso. “Ele perdeu R$ 1.140.000 milhões em recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)” detalha o presidente que ainda informou algumas ações de sua administração como cursos de galinha caipira, cultivo orgânico de hortaliças, além de dias de campo.
Fotos: Urbino Brito
Fonte/Autor: Luciana Oliveira