 |
|
A musicista Moana Andrade, em apresentação durante o evento Sons de Natal 2006, na Praça da Bandeira |
Com um repertório variado apresentando peças de músicos famosos como o brasileiro Ary Barroso ou nomes consagrados a exemplo de Mozart a Orquestra Sinfônica e o Coro Juvenil de Eunápolis, composta de músicos entre 09 e 12 anos de idade brindaram o público eunapolitano com apresentações musicais entre os dias 20 e 23 de dezembro. O espetáculo Sons de Natal está em sua segunda edição, mas este ano surpreendeu com um fato especial. Depois de seis meses entre implantação e preparação dos músicos a comunidade tem a oportunidade de conferir o que os músicos mirins estão aprendendo. O projeto de orquestra e coral encabeçado pela musicista Moana Andrade conta com 128 alunos oriundos de bairros da periferia de Eunápolis.
Conquistas
De acordo com Moana o período é de muita comemoração. A orquestra foi contemplada pelo programa Banco do Nordeste (BNB) de Cultura que divulgou
o resultado da seleção dia 19. O programa é uma iniciativa de promoção de atividades culturais no sentido de desenvolvimento regional e afirmação da identidade nordestina. O BNB disponibilizará R$ 2,5 milhões em 2007 distribuídos em cinco linhas de atuação - artes visuais, artes cênicas, literatura, audiovisual e música. Os projetos contemplados receberão entre R$ 10 e R$ 50 mil para execução. A orquestra foi selecionada e receberá R$ 19 mil, dinheiro que será revertido em instrumentos musicais. Durante a fase inicial do projeto a maior dificuldade era a falta de instrumentos. Recentemente foram doados um violocenlo e 30 flautas. Com a verba do BNB serão adquiridos os instrumentos faltosos como violinos e violas. O objetivo de Moana é que em 2007 a orquestra esteja completa.
Apesar da surpresa da aprovação no BNB de Cultura a concretização do sonho de implantar a primeira Orquestra Sinfônica de Eunápolis começou a tomar corpo já faz algum tempo. No mês de junho ocorreu a primeira seleção dos futuros alunos em bairros periféricos da cidade. Todos eles são oriundos da rede pública municipal de ensino. Além das duas aulas práticas semanais, os 128 alunos ainda fazem teoria e percepção musical e são submetidos a testes como em qualquer escola. Em 2007 os aprovados darão início ao segundo módulo.
Da infância difícil à faculdade de Música
É impossível falar da orquestra sem lembrar a história de vida de Moana. Ela
além de musicista é proprietária do Gênios Instituto de Arte e Cultura de Eunápolis que por 10 anos foi escola de música. O primeiro contato com a música aconteceu ainda na infância. Foi através de uma oportunidade parecida com a que a orquestra está possibilitando a essas crianças que Moana aprendeu piano. "Eu quero permitir que essas crianças tenham a mesma oportunidade que eu" afirma ao citar algumas peças musicais famosas que teve a oportunidade de assistir fora da Bahia. Ela administra seu tempo entre o Instituto, os alunos da orquestra e a faculdade de Música que exige um deslocamento mensal ao Rio de Janeiro. As ações desenvolvidas pelo Instituto tem como objetivo fomentar a produção cultural eunapolitana, formar profissionais e público para espetáculos. Além da orquestra, são ministrados cursos de músicas e artes visuais. Para 2007 está previsto ainda a inauguração de um auditório e o curso de teatro.
Para a elaboração de projetos, suporte e capitaneação de recursos foi criada ainda a Associação dos Músicos de Eunápolis (Some). Foi através dessa
 |
|
o Sr. Yuri Chaves, gerente do Banco do Nordeste, enquanto falava do convênio assinado com a Orquestra Sinfônica de Eunápolis. |
instituição que a orquestra foi inscrita no BNB. Na ocasião um outro projeto na área de artes cênicas também foi inscrito. Apesar de estar na lista dos habilitados o projeto de uma ópera nordestina que seria apresentada em cinco cidades do Extremo Sul acabou não sendo contemplada. Mesmo assim, com a idéia de formar público para espetáculos artísticos e promover artistas e expressões locais segundo o Instituto tentará outras fontes de patrocínio.
Planos para 2007
A maior dificuldade em 2006 para a implantação da orquestra foi conseguir recursos para adquirir instrumentos. O grupo que encabeça esse projeto fecha o ano com avanços significativos. De acordo com Moana o maior problema a ser enfrentado em 2007 é a manutenção dos professores. Dois deles que ensinam violino e piano são de Minas Gerais. A orquestra através da Some precisa capitanear recursos para manter e contratar mais professores. Outra frente de ação a ser atacada é o reconhecimento pelo Ministério da Educação (MEC) dos cursos ministrados no Instituto.
Fotos: Urbino Brito Fonte/Autor: Luciana Oliveira