O Ibama divulgou na última terça-feira (19) a realização de uma operação de combate à venda ilegal de aves silvestres às margens da BR-101 na região Extremo Sul da Bahia. Do próximo sábado até o carnaval, a Gerência do Ibama de Eunápolis, e a Polícia Rodoviária Federal realizarão operação de esclarecimento e fiscalização contra esse tipo de comércio. A Operação Chauá, que tem o nome de um papagaio típico do Extremo Sul prevê a vigilância móvel e bloqueios na estrada. A escolha pelo nome justifica no fato de o papagaio chauá é um dos mais traficados e por isso mesmo está em extinção. Já a operação além de autuar e multar quem vende espécies da fauna silvestre, fiscais e policiais deterão compradores e transferirão animais para criadouros conservacionistas.
O Ibama está buscando também o apoio da imprensa, para orientar sobre a importância dos viajantes não adquirirem os animais. "Quem for pego será enquadrado no artigo 29 da lei 9.605 (Lei de Crimes Ambientais). Este comércio aparentemente provinciano alimenta o tráfico internacional de animais, submetendo-os a variadas crueldades durante o transporte para escondê-los da polícia, em portos, aeroportos e regiões de fronteira", afirma a analista ambiental do Ibama de Eunápolis, Lígia Ilg. Mesmo assim muitos
órgãos de comunicação regionais não foram informados sobre a operação.
O comércio de pássaros à beira de rodovias ocorre o ano todo, mas cresce na
temporada de férias e se concentra no Nordeste, onde a posse de animais silvestres é, apesar do mau hábito, uma tradição. Além do papagaio de cabeça vermelha, os mais vendidos na estrada são o periquito-rei, o pássaro jandaia, o chorão, o papa-capim e o canário da terra. O periquito-rei lidera o ranking de ofertas.
O Chauá é um papagaio muito bonito. Tem a cabeça vermelha e, apesar do risco de extinção, é dos mais vendidos pelos infratores, muitos deles moradores da zona rural, que se postam em locais estratégicos da rodovia à cata de turistas provenientes, sobretudo, do Rio de Janeiro e de São Paulo. Entre os infratores há um grande número de adolescentes, que vendem pássaros em caixinhas de madeira, com o objetivo de ajudar no orçamento da família. Meninos e meninas são usados como vendedores pelos pais, para amenizar punições legais, caso sejam
surpreendidos pela fiscalização. No caso de serem presos, os infratores são levados até a delegacia de polícia mais próxima. Se forem jovens, é lavrado o Termo Circunstanciado, um tipo de boletim de ocorrência. Os pais, como responsáveis diretos, são identificados e passam a responder, como qualquer outro adulto detido em flagrante por crime ambiental, podendo ser condenados à pena de seis meses a um ano de prisão e ao pagamento de multa de R$ 500 por pássaro apreendido. A multa aumenta em R$ 5 mil reais por espécie em extinção encontrada em poder do infrator. "Nosso principal objetivo não é punir, embora seja essencial reprimir o delito. Mas, sim, educar a população para a necessidade de preservação da diversidade das espécies", finaliza Lígia.
site: http://www.saudeanimal.com.br/papagaio_ameacados.htmFonte/Autor: Luciana Oliveira