Ânimos exaltados e muitas discussões marcaram a sessão da Câmara de Eunápolis do dia 8, sexta-feira passada, cujos motivos foram a prisão arbitrária do vereador Ubaldo Suzart por um agente de Polícia Civil (veja matéria: Câmara de Eunápolis repudia prisão arbitrária de vereador), e o discurso do presidente da Casa, Claudionor Nunes do Nascimento (Cláudio), que pela primeira vez usou a Tribuna da Câmara, para falar sobre os trabalhos da Comissão Processante, criada no mês de setembro para apurar denúncia de irregularidades que teriam sido cometidas pelo presidente.
Num amplo relato sobre todo o processo, desde que o Legislativo acatou a denúncia, formando a comissão incumbida de apurar, até aquele dia, o
vereador declarou mais uma vez a sua inocência e afirmou "estar havendo interesses escusos" interferindo com o objetivo de lhe cassar o mandato a qualquer custo. Cláudio fez um longo relato, apontando atos e situações que entende como intencionais com esse objetivo. O principal deles foi a descoberta da existência de um Parecer do Instituto Brasileiro de Administração Municipal –IBAM-, órgão técnico consultivo das prefeituras e câmaras municipais, se pronunciando pela nulidade do processo de apuração dasdenúncias. O documento data de 24 de outubro e foi exarado em resposta a uma consulta formulada pelo vereador Sessé. O que é intrigante no caso é
que, apesar do IBAM exarar parecer se pronunciando pela nulidade do processo de investigação, o vereador que é Relator da Comissão Processante, ao invés de pedir na fase inicial, o arquivamento da denúncia contra Claudionor, emitiu Parecer pedindo o acatamento da denúncia e a continuação da investigação. Pelo parecer do IBAM, os vereadores Sessé e Ruth, por terem protocolado representações (ações de cunho pessoal) na Justiça e no Ministério Público (MP) contra Cláudio, estão impedidos de apurar as referidas denúncias. Porém ambos continuam atuando normalmente: Ruth, como presidenta da Comissão Processante, e Sessé como relator.
As acusações de Cláudio foram contestadas por Sessé e Ruth, que pediram apartes durante a fala de Cláudio, obtendo inicialmente os apartes, porém,
depois, eles não foram mais concedidos. A partir daí, ocorreram discussões, fazendo o clima ficar tenso. Depois do discurso de Cláudio, que durou cerca de meia hora, o presidente em exercício para atos da apuração da denúncia contra o vereador Claudionor Nunes, o vice-presidente da Câmara, Ubaldo Suzart, pediu à presidenta da Comissão Processante, Ruth, os autos do processo, declarando suspensos por seis dias todos os atos da comissão. A presidenta não concordou, se recusando a fazer a entrega dos documentos. Ubaldo ameaçou tomar as medidas administrativa e jurídicas que julga cabíveis. Ubaldo quer analisar com cuidado o andamento das investigações.
Fotos: Urbino BritoFonte/Autor: Teoney Geurra