Oito formas de mudar o mundo.

Por: NossaCara.com
23/11/2006 - 16:44:00

O Colégio Othoniel Ferreira, de Itagimirim, foi o palco de uma exposição de cunho social organizada pelos professores e estudantes, no dia 13 de novembro, das 08:30h às 17:00h. Com o tema Oito Maneiras de Mudar o Mundo, professores e estudantes de 5ª a 8ª séries mobilizaram a escola na discussão sobre o que foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas - ONU e mais 191 países, como meta até 2015, pra erradicar do planeta flagelos da raça humana, a exemplo da forme e da violência.               
A ONU e os 191 países signatários definiram como sendo as oito formas de se

mudar o mundo, as seguintes metas: Erradicar a extrema pobreza e a fome; Atingir o ensino básico universal; Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; Reduzir a mortalidade infantil; Melhorar a saúde materna; Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças; Garantir a sustentabilidade ambiental e Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento. Os objetivos devem ser adaptados às realidades social e cultural de cada país.                     
Para um dos idealizadores da exposição, o Professor de Geografia, Rubens

Pereira dos Santos, a idéia surgiu da necessidade de: “trazer para os estudantes algo diferente com o que eles possam fazer uma interpretação mais abrangente do mundo em que vivem”. O tema abordado pelos estudantes da turma de Rubens foi o desenvolvimento tecnológico. A sala de aula foi transformada em uma galeria onde objetos do passado, como: ferro à brasa; telefones de disco; vitrolas e televisor monocromático se contrapõem a telefones celulares; aparelhos de CD e televisor policromático de tela plana. O professor ressaltou o apoio das Secretarias da Educação e da escola, com o fornecimento de alguns materiais. “A participação foi geral e cada um trouxe um pouco de coisas de suas casas”, acrescentou Rubens.                       
O estudante Leandro Barreto Rodrigues, da 8ª série, ficou entusiasmado ao

observar a transformação tecnológica durante os tempos, mas também ficou preocupado com o acelerado processo de produção de bens de consumo sem a preservação com o meio ambiente. “Isso vai acabar prejudicando a todos nós”, afirmou Leandro.                       
Segundo uma outra responsável pela realização do evento, a Professora Edileuza dos Anjos Santos, “a interdisciplinaridade favoreceu a motivação e a participação dos estudantes”. A professora importou a idéia de uma exposição similar que participou em Eunápolis. “Fiquei com vontade de trazer para nossa escola e a idéia foi muito bem aceita, com a participação de todos”. A idéia de se inserir os temas na grade curricular de 2007, segundo a professora, “é uma proposta que pretendemos levar para a coordenação, durante a semana pedagógica”.
                       
O meio ambiente foi tema da turma da 6ª série, que transformou a sala de

aula em exposição de protesto e esperança. De um lado, uma árvore seca e ornada com garrafas e sacos plásticos, compunha com a representação feita em feltro azul, de um rio poluído. O impacto social causado pela degradação ambiental teve como cenário um barracão de lona preta, desses utilizados pelos trabalhadores rurais sem terra, pelos atingidos por barragem e pelos expulsos por empreendimentos da monocultura de eucalipto. A esperança vinha de dois estandes. O primeiro, uma representação da floresta Amazônica feita pelas alunas Rayane e Laiane, com palha, folhas e árvores de isopor, que chamaram a atenção para o cuidado com a água. O segundo, uma mesa repleta de utensílios domésticos, brinquedos e artesanatos feitos de alumínio, plástico e papel; encontrados no lixo e transformados pelas alunas Ágata e Larissa.
Segundo a Professora de Língua Portuguesa, Nilsângela Santos Silva, “o desejo de ter alunos críticos e que fazem a diferença”, foi a motivação para

realizar a exposição. Par ela, o papel do professor é sacudir e despertar o estudante que ainda dorme passivamente. “O poder para transformar o ser humano e a sociedade ainda se encontra nas mãos da educação”, acrescentou Nilsângela.
As turmas da professora de Ciências da 5ª e 7ª séries, Janete de Oliveira, trataram de gravidez, mortalidade infantil, saúde da gestante e doenças registradas no município, como: pneumonia e tuberculose. Gravidez precoce em Itagimirim não é incomum e não é novidade encontrar adolescentes de até 13 ou 14 anos, grávidas. “Ano passado, tive uma aluna da 5ª série que engravidou”, lamentou a professora.       
O comportamento contraditório do adolescente é uma incógnita para a

Enfermeira do PSF I, Ullman Vieira, que participou da exposição na sala da Professora Janete. “Fiquei admirada com o nível de informação dos jovens, pois foram eles que apresentaram as palestras e se mostraram muito bem informados sobre gravidez e DST/Aids”, explica Ullman.
Mas o que os jovens sabem na teoria, não aplicam na prática, uma vez que ano após ano os casos de infecção e gravidez precoce aumentam. Ullman não sabe explicar exatamente por que isso acontece, mas acredita que a inconseqüência juvenil passa pela velha máxima de que as coisas só acontecem com os outros.           
A estudante Vaniele Santos Lima, 14, da 7ª série, acredita que mais edições da exposição serão benéficas para os estudantes. “Uma feira de ciências que nos ajudará a nos formar melhor e aprender mais sobre DST/Aids, gravidez e o processo de gestação”, afirma Vaniele. A estudante contou também que conhece alguém da sua idade que engravidou.
                       
Mas não é justo que os jovens assumam totalmente o ônus do problema. No mais das vezes, eles não têm coragem e nem dinheiro para comprar preservativo e não recebem da Secretaria de Saúde. É uma cara questão de hipocrisia, pois se aceita tacitamente que os jovens tenham uma vida sexual regular, mas não lhes oferece publicamente a prevenção.
         
Pelo andar da carruagem, o Brasil está muito longe de cumprir os compromissos estabelecidos até 2015. O que não o difere muito de países ditos desenvolvidos que sofrem os efeitos de um desenvolvimento tecnológico sem respeito ao meio ambiente, ou são assolados por pandemias como a Aids. O pleno cumprimento dos Oito Jeitos de Mudar o Mundo passa, necessariamente, pela distribuição justa e racional dos recursos energéticos do planeta e pelo acesso democrático à informação.

Matéria e fotos enviada pela assessoria de comunicação da prefeitura e Itagimirim


 

Fonte/Autor: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Itagimirim

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