
O povo e seu quase esquecido, mas louvável poder de surpreender veio lembrar a muitos políticos nestas eleições que a vitória nem sempre é certa, para o bem ou para o mal. Basta exemplificar com a vitória de Wagner e o segundo turno para presidente. O povo, principal sujeito desse processo, parece ter sido esquecido. Pior, parece que as campanhas se limitam às equipes de coordenação e marketing, candidatos e os veículos de comunicação, deixando de fora o povo, mero espectador acionado apenas na hora de votar. As eleições, um grande circo montado para entreter; prestem atenção nesta palavra e em seus desdobramentos. Entreter vt. 1. Distrair, desviando a atenção de. (FONTE: Minidicionário Ediouro da Língua Portuguesa, XIMENES, Sérgio).
E quem são os atores desse circo? Em qual esfera pública as ferramentas, os facilitadores e as resoluções que norteiam a vida da população brasileira em todos os sentidos, são criadas, discutidas, levantadas? Qual o papel dos veículos de comunicação nesses processos? Questionamentos como esses devem ser debatidos sempre, não apenas em período eleitoral. Mas é na esfera política que as grandes questões são resolvidas. Por outro lado, é cair em lugar comum atestar a importância e poder dos veículos de comunicação no Brasil, especialmente a TV. Mas, mais do que informar é necessário refletir sobre esse fato.
Em mais de 50 anos a TV brasileira progrediu tanto assimilando tecnologias como construindo uma linguagem própria. Quem nunca ouviu o termo Padrão Globo de Qualidade? Ele existe. E nesse processo, contribuiu para a criação de uma identidade nacional, mesmo que questionável, e acabou se tornando um ator influente no vaivém político do país. Quem não se lembra ou viveu as Diretas Já? Vale a pena pesquisar.
Assim, ao longo de décadas, a política foi sendo assimilada pela TV como mais um dos gêneros/produtos por ela oferecido, como as telenovelas ou telejornais. Os políticos aprenderam a se vestir melhor, falar melhor, atuar melhor na telinha. Ganha quem convence mais! Quem está no Congresso, presidência ou qualquer outro cargo público é mais do que senador, deputado ou presidente, tem que ser ator, usar os artifícios da linguagem televisiva para seduzir seus eleitores.
Mas voltemos a nosso contexto: pleno segundo turno da campanha presidencial. Uma das polêmicas do final do primeiro período reacende os ânimos agora; os debates. Dessa vez, não a ausência de Lula, mas o embate entre ele e Alkimim na Band no último domingo. Ficam questionamentos para reflexão sobre quais os artifícios que os candidatos utilizaram para nos entreter, ou desviar nossa atenção. A não apresentação de projetos de governo? A responsabilidade do Governo nos casos de corrupção? De quem eles se vestiram para nos convencer? Robin Wood? Defensor da moral?
Agora é ficar atento a outros debates, à propaganda eleitoral por mais chata que seja e às investigações da Polícia Federal. Por que não lançarmos, com adesão de todos os brasileiros, uma campanha tipo “Fique de Olho!”? Fique de olho nas ações da Câmara de Vereadores de sua cidade, em sua prefeitura, no deputado que você votou, em tudo que acontece na esfera política. Afinal, os votos são nossos e as conseqüências desse ato recaem apenas sobre nós.
*Luciana Oliveira é estudante de Comunicação Social – Rádio e TV na Universidade Estadual de Santa Cruz e repórter do Nossa Cara.
Fonte/Autor: Luciana Oliveira