
Brasil, 22 de setembro de 2006 – A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, localizada em Brasília, DF, recebeu ontem a visita de uma delegação chinesa, composta por oito especialistas em agricultura daquele país, com o objetivo de conhecer as pesquisas de algodão desenvolvidas pela Unidade, além de discutir a ampliação da cooperação entre os dois países, com foco nessa cultura. A delegação era chefiada pelo Vice-Diretor do Instituto de Pesquisa de Algodão da província de Henan, Wang Kun-bo, na cidade de Anyang, que faz parte da CAAS – Chinese Academy of Agricultural Science.
A CAAS já mantém um acordo de cooperação técnica com a Embrapa desde 2004 e, segundo o Chefe Geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral, envolve principalmente dois aspectos: a troca de material genético vegetal, que foi iniciada em 2005 e continua até hoje, e o desenvolvimento de pesquisas na área de biotecnologia vegetal. O acordo resultou também na ida de três pesquisadores da Embrapa à China no ano passado, com o objetivo de estreitar os contatos entre os dois países e levantar linhas de pesquisa a serem trabalhadas. Dois desses pesquisadores são da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Fátima Grossi e Luciano Nass, e um da Embrapa Soja, em Londrina, PR, Alexandre Nepomuceno. Cabral explica que a visita desses pesquisadores, que durou um mês, deixou claro que o interesse principal da cooperação técnica entre os dois países, na área da biotecnologia, é o algodão.
Esta definição não é de estranhar, já que a China é hoje o maior produtor, consumidor e importador mundial de algodão, com respectivamente 23%, 40% e 43% do mercado global na safra 2005/2006 (dados do USDA – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O país é também o maior exportador de têxteis e de vestuário do mundo. Já o Brasil, também de acordo com o USDA, deverá ser o sexto maior exportador mundial de algodão em pluma na safra 2005/2006, com tendência a crescer ainda mais nos próximos anos.
O Brasil já foi o maior produtor mundial de algodão, mas com a introdução do bicudo do algodoeiro na década de 80, o país teve a produção devastada e passou de exportador a importador. Hoje, a situação está mudando e as exportações brasileiras de algodão estão se expandindo, especialmente em função da crescente demanda pelo produto na China e em outros países da Ásia.
Por isso, a parceria entre os dois países para ampliar as pesquisas de algodão é um caminho bastante promissor para ambos, na visão de Cabral. Ele explica que será assinado um acordo de cooperação técnica entre a Embrapa e a CAAS em breve, em complementação àquele firmado em 2004. “Dessa vez, o acordo será específico para a cultura do algodão e prevê o intercâmbio de material genético, o desenvolvimento de pesquisas de recursos genéticos e biotecnologia e o treinamento de especialistas”, afirma Maria Fátima Grossi, pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, lembrando que já está confirmada para meados de outubro a vinda de um pesquisador chinês à Unidade, onde ficará por cerca de seis meses.
Delegação veio ao Brasil para participar de evento internacional sobre genoma do algodão
A delegação chinesa que visitou a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia veio ao Brasil para participar de um evento internacional sobre genoma do algodão, realizado no hotel Blue Tree Park, em Brasília, DF, no período de 18 a 20 de setembro. O evento foi promovido pelo ICGI – International Cotton Genome Initiative, em parceria com duas Unidades da Embrapa (Recursos Genéticos e Biotecnologia e Algodão), Abrapa – Associação Brasileira de Produtores de Algodão; Facual – Fundo da Cultura do Algodão e CNPq, entre outras instituições, e reuniu especialistas de vários países para discutir aspetos relacionados à área de genômica, como conservação de material genético, genômica funcional e estrutural e bioinformática, entre outros.
Além da visita à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a estadia da delegação chinesa no Brasil prevê também visita a uma cooperativa de produtores de algodão no Estado de Mato Grosso e à Embrapa Algodão, em Campina Grande (PB).
Fernanda Diniz
Jornalista
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Fonte/Autor: Fernanda Diniz