
Eunápolis está entre as três cidades mais desenvolvidas do Extremo Sul ao lado de Teixeira de Freitas e Porto Seguro. Mesmo assim ainda enfrenta problemas crônicos a exemplo da falta de saneamento básico, asfaltamento de ruas e destino final do lixo. Este último é depositado no lixão da cidade, localizado próximo ao bairro Alecrim.
Segundo o Centro de Pesquisas e Estudos para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes) somente Porto Seguro e Teixeira de Freitas já desenvolveram projeto para aterro sanitário. Mesmo assim em Porto Seguro o local é
inadequado pela proximidade à área ambiental do Vale Verde, por onde passa o rio Buranhém. A obra chegou a ser embargada pelo Ibama. Ainda de acordo com o órgão é preciso realizar uma avaliação nas duas cidades para constatar a situação atual.
Questão social
Apesar da questão sanitária saltar os olhos, o que mais chama atenção no lixão de Eunápolis é a questão social. Famílias moram no local e existem muitas crianças e ad
olescentes que sobrevivem catando lixo. Um exemplo é D.L.J. 17, ele relata que cata lixo desde criança, assim como seu companheiro de trabalho, J.P.S., 17, um outro menor. Eles passam o dia inteiro no local, até as refeições são feitas em meio ao lixo. A maior parte afirma estudar, mas muitos reclamam que a violência no bairro Alecrim está inibindo muitos adolescentes a continuarem na escola.
Adultos e menores selecionam principalmente garrafas pet, latas e embalagens plásticas. Leonardo Novaes da Silva, 18, trabalha no lixão há três anos. “Dá para fazer até um salário no
mês” informa. Ele está cursando a 4ª série primária e diz ajudar a família com o que consegue vendendo. O material retirado do lixão é vendido principalmente para Porto Seguro. O transporte é feito através de caminhões, Kombi e carroças. O valor pago pelo material retirado do lixo ainda é muito baixo. Umas das causas é a inexistência de associações de catadores.
Solução para o lixo
De acordo com secretário de Infra-estrutura, Omar Reiner, já existe um projeto pronto para
implantação de um aterro sanitário em Eunápolis. No próximo mês de setembro será realizada uma audiência pública para aprovação do projeto que está orçado em R$ 2 milhões, verba do governo estadual. As obras devem começar em janeiro de 2007, após o processo de licitação para escolha das empresas que realizarão a obra. A previsão de execução é de 18 meses. O secretário ainda não tem nenhuma definição para o destino das pessoas que vivem do lixão que será desativado com a implantação do aterro.
Fotos: Urbino Brito
Fonte/Autor: Luciana Oliveira