Região pode perder unidade de tratamento do Câncer

Por: NossaCara.com
02/08/2006 - 18:30:00

Em reunião da Comissão Intergestora Bipartite Macrorregional do Extremo sul (CIB, que reúne secretários de saúde e representantes das Dires da região), realizada terça-feira, dia 25, a diretora da Superintendência de Planejamento da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), Iracema Paim, apresentou aos secretários de saúde dos municípios da região extremo sul, a proposta da Nova Rede de Oncologia na Bahia, estabelecida pelo Ministério da Saúde a partir de Portaria. O ato ministerial regula o serviço o serviço de alta complexidade no setor de oncologia.

           
Pelo que foi estabelecido, o governo federal deverá desativar os denominados “Serviços Isolados de Oncologia”, que prestam serviços de quimioterapia e radiologia, transferindo esses atendimentos para os UNACOM e CACON, que oferecem também cirurgias e outros serviços de alta complexidade. Eunápolis é uma dessas cidades atendidas por um Serviço Isolado de Oncologia, o único em todo o extremo sul do estado. Assim, todos os portadores de câncer da região passarão a ser atendidos em Itabuna, onde haverá um UNACOM.

           
A informação causou revolta e indignação entre os secretários presentes à reunião, que atualmente estão discutindo com a SESAB justamente o contrário: a implantação de mais um Serviço Isolado de Oncologia em Teixeira de Freitas. Segundo a superintendente, essa mudança aconteceu em razão do Ministério da Saúde ter trocado o critério que utilizava para definir a distribuição das unidades de oncologia, que era o da população da região, passando a utilizar o da estimativa de casos novos. Para os secretários, a medida demonstra insensibilidade do Ministério da Saúde, que não levou em conta o paciente, “o portador de câncer, um ser humano já debilitado pela doença”, como foi falado, só considerando aspectos técnicos e financeiros. “Um paciente de Teixeira de Freitas, um idoso já debilitado pela doença, por exemplo, terá que percorrer
185 quilômetros de ida para ter uma sessão de quimioterapia e depois percorrer mais 185 quilômetros. Isso é um absurdo!”, desabafou o secretário de Saúde daquela cidade, Geraldo Magela. O clima chegou a ser de revolta durante as discussões que se seguiram ao anúncio do ato ministerial, principalmente pelo fato de ter sido informado pela coordenadora da Atenção Oncológica, Umbelina Baltazar, que a cidade de Luiz Eduardo Magalhães, emancipada apenas há cerca de seis anos, terá um UNACOM “que foi prometido pelo governador Paulo Souto”.

                            
SECRETÁRIOS REIVINDICAM

           
Liderados pelo secretário de Saúde de Itabela, Lúcio Oliveira França, que representa os municípios da microrregião na CIB, os secretários presentes à reunião reivindicaram a manutenção do centro de atendimento oncológico de Eunápolis, transformando o Serviço Isolado de Oncologia que funciona na Clínica Cotreu, em um serviço integrado, um UNACOM. O secretário de Teixeira de Freitas, Magela, ainda defendeu a implantação da unidade que eles, secretários, queriam para Teixeira de Freitas, mas o entendimento unânime foi de que isso seria impossível.

             
Caso a reivindicação dos secretários não seja atendida, a desativação da unidade oncológica de Eunápolis deve ocorrer a partir de outubro, coincidentemente, após as eleições, quando os novos casos de câncer passarão a ser cadastrados na unidade de Itabuna.

Perda para todo o Extremo Sul           

A desativação do Serviço de Oncologia da Cotreu, caso aconteça, trará, como afirmou o secretário Cid Eduardo Gama (veja matéria acima), perdas irreparáveis para toda a região extremo sul, que abrange 21 municípios e uma população acima de 1 milhão de habitantes, por ser o único serviço dessa natureza que atende toda essa área.

           
Somente no ano passado o serviço de oncologia da Cotreu atendeu entre quimioterapia e outros atendimentos mais de 800 pacientes. Porém, somente no primeiro semestre deste ano esse número já saltou para mais de 500, com projeção de crescer mais ainda, para algo em torno de mil atendimentos.

           
Como afirmaram de forma unânime os secretários presentes à reunião onde foi dada a notícia da desativação do serviço de oncologia, a desativação da unidade vai trazer prejuízos para os municípios, bem como para os pacientes. Para os municípios, pelo fato dos pacientes de baixa renda, que são maioria nos casos de câncer, terem que ser removidos para Itabuna, o que vai onerar os cofres públicos. Para os pacientes, já debilitados pela doença, essa remoção a distâncias até superiores até
500 Km (ida e volta a Itabuna) causará danos que podem até comprometer o tratamento. Como salientou o secretário de saúde de Teixeira de Freitas, Geraldo Magela.

Matéria e fotos gentilmente cedida pelos nossos parceiros do
Jornal Opinião 

Fonte/Autor: Jornal Opinião

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