
Como era esperado um maior número de pessoas compareceu em peso neste sábado (01), terceiro dia de Pedrão. Nem mesmo a decepção com a desclassificação da seleção brasileira comprometeu a alegria de quem se dirigiu ao circuito da festa. Segundo a prefeitura, organizadora do evento, 13 mil forrozeiros de outras cidades “arrastaram a chinela” na festa que tem tudo para se tornar tradição. O Pedrão desse ano criou 1.300 empregos temporários. São garçons, garis e barraqueiros que tem a oportunidade de trabalho, mesmo provisório.
A atração mais esperada era a Banda Calcinha Preta, mas o povão não deixou de dançar e cantar ao som das bandas Zan Caliente, Cheiro
de Forró e Trio Nordestino. Cheiro de Forró deu show e mostrou que Eunápolis também está se firmando não só como o melhor São Pedro, mas como pólo produtor de bandas de forró de qualidade.
Se por um lado Calcinha Preta impressiona pelos números alcançados, são mais de 100 mil cópias vendidas no primeiro DVD e mais de dois milhões de CDs vendidos ao longo dos oito anos de carreira, com um público recorde de mais de 100 mil pessoas em um único show. Por outro lado o grupo Trio Nordestino encanta pelo forró de raiz. O trio que surgiu em Salvador há quase 50 anos atrás guarda ainda a base do estilo que melhor representa o nordestino, a zabumba, o triângulo e a sanfona. O grupo está em sua segunda formação e já se pode até falar em tradição familiar, já que os
novos músicos são filhos ou netos da antiga formação. Atualmente o som “arretado” é garantido pelos músicos Coroneto, na zabumba, Beto Souza, sanfoneiro e Luis Inácio, voz e triângulo.
Notas
Nota 10 para quem está trabalhando enquanto boa parte da multidão só quer saber de forró. Nesse grupo estão o pessoal dos camarotes, seguranças, polícias Militar e Civil, Comissariado de Menores, garis, postos médicos, equipe técnica e produtores.
Não é preciso dar nota, mas só lembrar que o trabalho da imprensa deve ser sempre facilitado, desde que os veículos guardem compromisso e credibilidade. Nesse terceiro dia de festa alguns repórt
eres tiveram dificuldades de acesso aos palcos e camarotes, mesmo os que portavam credenciais. Fica a pergunta: se o acesso vai ser negado, qual a funcionalidade de uma credencial?
Ainda no quesito imprensa, o ponto de apoio para os profissionais ficou mesmo na promessa. Todos esses pontos ficam para reflexão. Uma festa que pretende se tornar tradição tem que zelar pela perfeição.
Que a festa está bonita, ninguém pode negar. Mas nesse último dia de Pedrão se faz necessário perguntar: qual o valor total do investimento da prefeitura? Afinal é dinheiro público. E nesses tempos de desclassificação do Brasil na Copa o brasileiro cai na realidade. Nem tudo é futebol é bom o eunapolitano também seguir o exemplo, nem tudo é festa.
Fotos: Urbino Brito
Fonte/Autor: Luciana Oliveira