Camarotes crescem, mas foliões mantêm tradição de sair atrás do trio

Por: Da radeção
23/02/2017 - 16:38:58

G1 conta histórias de quem não deixa de curtir a festa de modo tradicional
Empurrões, pisões no pé e banho de cerveja fazem parte da diversão

Alex de Paula / Do G1 BA

Os camarotes se popularizam e estão cada vez mais presentes nos circuitos do carnaval de Salvador, principalmente no Dodô (Barra-Ondina). Os espaços oferecem luxo e conforto, com serviços all inclusive, shows exclusivos, boates e até spas. Mesmo com todos esses diferenciais, tem folião que ainda prefere curtir a festa de modo tradicional, aproveitando atrás do trio, seja na pipoca ou em bloco.

Isamar (à direita) com amigos no carnaval de 2015 (Foto: Isamar Borges/Arquivo Pessoal)

É o caso do designer de interiores Isamar Borges. Ele tem 21 anos e há cinco pula carnaval, sempre curtindo a festa no "chão". "É seguindo o trio que nós interagimos com as pessoas, temos a oportunidade de reencontrar amigos e fazer novas amizades", diz.

Isamar já esteve em um camarote, mas conta que não gostou da experiência. "Eu não senti aquela energia que gosto nos blocos e na pipoca. Para mim, era como se estivesse assistindo a festa em casa, como antigamente". Esse ano, ele pretende seguir os trios do bloco Mascarados e das cantoras Claudia Leitte e Daniela Mercury.

Mesmo grávida, Vanessa não abriu mão de sair em blocos durante o Carnaval (Foto: Vanessa Carvalho/Arquivo Pessoal)

A comissária de bordo Vanessa Carvalho tem 31 anos e há oito participa do carnaval de Salvador. A carioca sempre se programa com bastante antecedência, pedindo folga no trabalho e organizando a escala. Tudo isso para garantir presença na folia baiana.

Vanessa optou por um camarote pela primeira vez em 2009, quando estava grávida de 6 meses. "Na época, eu e meu marido achamos cauteloso ficar em um espaço mais reservado por causa da minha barriga. Porém, após o primeiro dia, vimos que aquilo não era nossa realidade. Então, vendemos os outros dias de camarote e compramos blocos. E mesmo com barrigão, eu aproveitei muito e ele também", conta.

Para ela, os blocos são as melhores oportunidades para curtir o repertório completo dos artistas baianos que admira. Sem esconder a preferência de correr atrás do trio, hoje ela divide o carnaval entre camarotes e blocos. "Os camarotes oferecem uma infraestrutura sensacional. Eu saio todos os dias de blocos, e em alguns encerro nos camarotes".

Jefferson Cardoso diz empurrões fazem parte da festa (Foto: Jefferson Cardoso/Arquivo Pessoal)

O estudante de psicologia Jeferson Cardoso, de 26 anos, participa da folia há 6 anos e nunca esteve em um camarote."A energia lá embaixo é uma coisa mágica, então nem sinto vontade de conhecer os camarotes", justifica.

Os empurrões, pisões no pé e banho de cerveja, situações corriqueiras para quem vai atrás do trio, fazem parte do carnaval.

Jeferson não descarta a possibilidade de um dia se render aos espaços mais exclusivos da festa, mas acredita que ainda não é o momento de deixar os blocos e a pipoca. "A festa acontece de verdade no chão, com aquele empurra-empurra gostoso e muita alegria", conclui.

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