.gif)
Em São Paulo, uma de cada dez viagens programadas não é feita.
Prefeitura diz que empresas aumentam intervalo e pontos ficam cheios.
![]() |
Uma auditoria no transporte público de São Paulo mostrou uma série de problemas. São ônibus velhos, que viajam lotados e demoram para pegar os passageiros.
Além desses problemas que cada vez se repetem em outras cidades do Brasil, em São Paulo, uma de cada dez viagens programadas não é feita pelas empresas. Com isso, as empresas embolsaram, irregularmente por viagens que não foram feitas, R$ 370 milhões por ano.
As empresas recebem por passageiro que transporta. A prefeitura diz que elas aumentam o intervalo das viagens e os pontos enchem de gente. Com menos ônibus, as empresas levam o mesmo número de pessoas e economizam nos custos. Quem sofre são os passageiros, com a espera pelos coletivos e com o desconforto nas viagens.
![]() |
Ônibus em mau estado, insuficientes, demorados, e por isso mesmo, superlotados. Diante das constantes reclamações dos passageiros, a prefeitura de São Paulo contratou uma empresa de auditoria que analisou a fundo esse transporte que serve 4,5 milhões de moradores da cidade.
Entre outras irregularidades, a auditoria constatou que uma, de cada dez viagens previstas, simplesmente não está sendo realizada. Por mês, a prefeitura gastaria quase R$ 31 milhões com ônibus que não circulam, não passam pelos pontos.
O mais curioso é que as empresas não desmentem o não cumprimento pleno dos contratos, mas dizem que tem seus motivos. “Têm fatores externos à operação, que não é responsabilidade nossa: qualquer acidente, qualquer problema de semáforo, qualquer interferência que acontece na cidade de São Paulo, as consequências recaem sobre a circulação dos ônibus”, afirma o presidente do SP Urbanuss Francisco Chistovam.
![]() |
De uma estação de trem na região de Interlagos, Zona Sul de São Paulo, parte a linha de ônibus que foi campeã de reclamações junto à prefeitura em julho deste ano: a 502-J 10. Mas será que ela melhorou? A resposta é negativa. “Ficou bom um mês e depois piorou de novo. Eles falam que é de 15 em 15 minutos, de meia em meia hora. Outro dia a gente ficou de 6h45 até 7h30”, conta o comerciante Francisco de Oliveira.
“Ontem à noite eram 22h, eu saí da faculdade, da pós, eu demorei mais ou menos 30 minutos em pé esperando, cansada o dia inteiro”, conta a estudante Paula Jasmarino.
“Às vezes quebra no caminho, a gente tem que ir andando. Já aconteceu muitas vezes”, diz a recepcionista Andressa Andrade.
“Tem ônibus que faz dó até a gente pagar para viajar neles”, diz o pintor José Barbosa.
O auxiliar de saúde Sidnei Guimarães que pega quatro ônibus por dia, diz que um equipamento, indispensável para quem é cadeirante, nem sempre funciona. “Sempre, invariavelmente, uma vez por dia eu tenho problema em uma das quatro conduções”, diz.
O relatório final da auditoria só será divulgado no fim do mês, mas já existem soluções em estudo. Como a instalação de sistemas eletrônicos de fiscalização e de aplicação de multas.
“Nós precisamos usar essa ferramenta de uma tecnologia, a inteligência, para também ajudar nesse controle. Então, o diagnóstico é importante para que isso não se repita”, afirma o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto.
A prefeitura disse que os contratos com as empresas estão no fim e que o resultado da auditoria vai ajudar a elaborar o novo edital de concessão do sistema de ônibus.
Imagens do vídeo do Bom dia Brasil