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Quem foi criança ou adolescente nos anos 1980 e colecionou as belas imagens de animais contidas nas embalagens do chocolate Surpresa, hoje está de luto.
Quem considera a biodiversidade brasileira uma riqueza inestimável para ser compartilhada por todo o mundo por meio de fotografias, hoje está de luto.
Quem admira a paciência, a persistência, a resistência necessária aos fotógrafos de natureza para registrar cenas exclusivas de nossa fauna e nossa flora, hoje está de luto.
Quem luta contra a bur(r)ocracia das nossas unidades de conservação, cujos administradores são incapazes de entender a importância do trabalho dos fotógrafos de natureza para a conservação da biodiversidade, hoje está de luto.
Morreu Luiz Claudio Marigo, 63 anos, pioneiro da fotografia de natureza no Brasil, premiado aqui e no Exterior, um dos mais teimosos, consistentes e conscientes profissionais do país.
Não era fácil trabalhar com ele, dado seu grau de exigência e habilidade em negociar espaços. Mas era um prazer editar suas fotos, em meio a eternas dúvidas sobre qual era o melhor clic entre os melhores.
Morreu Luiz Claudio Marigo, mas não foi uma onça ou um jacaré-açu, como os muitos dos quais ele se aproximou para capturar com suas lentes. Tampouco foi uma queda do alto de uma árvore ou plataforma, como as muitas nas quais ele subiu para chegar mais perto das aves. Foi o coração, um infarto, num ônibus do Rio de Janeiro, à espera de um atendimento que não chegou a tempo apesar de ele estar diante de um hospital de referência em cardiologia.
O fotógrafo dos animais silvestres morreu vítima da indiferente selvageria urbana.
Fica o desconsolo de uma homenagem virtual, com as palavras dele mesmo, escolhidas como apresentação de seu trabalho, em seu site:
“A conservação da biodiversidade depende do conhecimento e do amor. O papel dos fotógrafos de natureza é despertar a consciência do homem para a incrível riqueza da vida na Terra, sua beleza e valor espiritual” (Luiz Claudio Marigo)
Descanse em paz, Marigo.