

Indicador CEPEA/ESALQ acumula valorização em setembro, enquanto alguns contratos futuros registram queda
Por: Urbino Brito
O mercado do boi gordo segue firme nesta reta final de setembro, apesar da menor liquidez nas negociações e da postura mais cautelosa de parte dos frigoríficos. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o Indicador do Boi Gordo fechou quinta-feira (24) em R$ 358,20 por arroba, com valorização de 0,22% no dia.
O movimento confirma a sustentação dos preços observada ao longo do mês. No final de agosto, a arroba estava em aproximadamente R$ 344,40, enquanto na parcial de setembro já havia alcançado R$ 354,70, representando alta de cerca de 3% no período.
Comparativo de preços
Considerando o fechamento de agosto e a cotação de 24 de setembro:
| Referência | Preço |
|---|---|
| Final de agosto | R$ 344,40/@ |
| 24 de setembro | R$ 358,20/@ |
| Variação | +R$ 13,80/@ |
| Variação percentual | +4,0% |
Ou seja, não houve queda acumulada no Indicador CEPEA no período. A arroba apresenta valorização de aproximadamente 4% desde o encerramento de agosto.
O próprio Cepea apontou que, em agosto, as cotações permaneceram firmes principalmente diante da oferta mais restrita de animais prontos para o abate.
Mercado físico também mostra preços firmes
Nas principais praças acompanhadas pelo mercado, os valores continuam sustentados. Em 24 de setembro, referências indicavam R$ 360/@ em São Paulo e Araçatuba, R$ 350/@ em Dourados (MS), R$ 345/@ em Goiás e Minas Gerais, R$ 340/@ na Bahia e R$ 330/@ em Cuiabá (MT).
Na comparação diária divulgada pela Abrafrigo, também foram registrados pequenos avanços: São Paulo passou de R$ 355,33 para R$ 356,33; Goiás, de R$ 344,64 para R$ 345,36; Minas Gerais, de R$ 340,88 para R$ 341,76; Mato Grosso do Sul, de R$ 348,84 para R$ 349,05; e Mato Grosso, de R$ 332,76 para R$ 333,30.
E onde estão as quedas?
As baixas aparecem principalmente no mercado futuro da B3, e não no Indicador físico do Cepea.
No fechamento de 24 de setembro, os contratos apresentaram os seguintes ajustes:
Já o contrato de março de 2027 terminou o pregão em R$ 389,55/@, com alta de 0,14%.
Cenário do mercado
O cenário atual combina oferta mais restrita de animais terminados, escalas de abate menos confortáveis em parte das indústrias e negociações ainda seletivas.
De acordo com informações divulgadas em 24 de setembro, frigoríficos de pequeno e médio porte encontravam maior dificuldade para avançar nas compras, enquanto empresas maiores apresentavam situação mais confortável em função de contratos de parceria e animais provenientes de confinamentos próprios.
Assim, o mercado chega ao fim de setembro com a arroba sustentada e em patamar superior ao observado no encerramento de agosto. Para o pecuarista, o momento exige atenção principalmente às diferenças entre as praças, às condições de pagamento e ao comportamento das escalas dos frigoríficos.
Fonte: Cepea/Esalq-USP, com dados de mercado de 24 de setembro de 2026.