
Saca do arábica recua para R$ 1.746,47, enquanto o robusta (conilon) sobe para R$ 1.080,81; mercado segue atento à safra brasileira, ao câmbio e ao cenário internacional
Por: Urbino Brito
O mercado brasileiro de café abriu esta sexta-feira (31) com comportamento distinto entre as duas principais variedades comercializadas no país. Enquanto o café arábica apresentou desvalorização, o café robusta (conilon) registrou uma pequena alta, refletindo o momento de cautela dos mercados diante das perspectivas para a nova safra e das oscilações do comércio internacional.
De acordo com o Indicador CEPEA/ESALQ, referência nacional para o setor cafeeiro, a saca de 60 quilos do café arábica foi negociada a R$ 1.746,47, uma queda de 0,88% em relação ao fechamento anterior.
Já o café robusta (conilon) contrariou a tendência do arábica e avançou 0,11%, sendo comercializado a R$ 1.080,81 por saca de 60 quilos.
Mercado segue atento ao cenário internacional
As oscilações refletem um mercado ainda bastante sensível às informações sobre oferta e demanda mundial. A colheita brasileira avança em ritmo acelerado, aumentando a disponibilidade do produto, enquanto operadores acompanham atentamente as exportações, o comportamento do dólar e as condições climáticas nos principais países produtores.
No caso do arábica, a pressão vendedora continua influenciando os preços, especialmente diante da maior oferta da safra brasileira. Já o robusta (conilon) mantém maior estabilidade, sustentado pela demanda da indústria de cafés solúveis e pelo interesse crescente do mercado internacional.
Diferença entre as variedades
O café arábica continua sendo o mais valorizado devido à sua qualidade superior, aroma mais intenso e sabor mais suave, características que o tornam predominante na produção de cafés especiais e gourmet.
Já o robusta, conhecido no Brasil como conilon, destaca-se pela elevada produtividade, maior resistência às altas temperaturas e excelente desempenho industrial, sendo amplamente utilizado na fabricação de cafés solúveis e em blends que buscam maior corpo e intensidade.
Produtores acompanham o mercado diariamente
Para os cafeicultores, acompanhar as cotações tornou-se uma ferramenta estratégica na tomada de decisões comerciais. Pequenas variações diárias podem representar diferenças significativas na rentabilidade ao longo da comercialização da safra.
Especialistas recomendam que os produtores observem não apenas os preços internos, mas também fatores como o câmbio, o comportamento da Bolsa de Nova York, as exportações brasileiras e as condições climáticas, que continuam sendo determinantes para a formação dos preços.
Mesmo com a queda registrada nesta sexta-feira, o café permanece entre as commodities agrícolas de maior importância para a economia brasileira, mantendo boas perspectivas para o segundo semestre, embora o mercado continue sujeito à volatilidade típica do setor.