
Por: Bento Quinto
Eunápolis – 07-10-09 – Por força de mandado de reintegração de posse expedido no último dia 02 e assinado pelo Juiz de Direito da Comarca de Eunápolis, Dr. Otaviano Andrade de Souza Sobrinho, vinte e oito famílias de trabalhadores rurais sem terras deixaram na manhã de ontem áreas ocupadas há mais de seis anos no imóvel denominado Monte Sinai, localizado no interior do Município.
A retirada foi pacífica com a presença da Polícia Militar, Oficial de Justiça, representantes da FETAG-BA nas pessoas de Almir Souza Ramos e Maria das Graças Lima Olegário, respectivamente, também, presidente e diretoria de Políticas Sociais do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Eunápolis.
As famílias permaneciam acampadas em duas áreas dentro do imóvel há mais de 06 anos, identificadas como Córrego do Itu, onde ficavam treze delas e, as demais, na parte chamada Córrego da Platina. Nesse período, os sem terras sob a Bandeira da FETAG-BA, cumpriram cerca de cinco mandados de reintegração de posse, sempre saindo e voltando a ocupar as mesmas áreas do Imóvel em litígio.
A FETAG, sempre em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Eunápolis, providenciou junto ao Estado levantamento minucioso para saber a verdade acerca do imóvel Monte Sinai, pleiteado pelo agricultor João Luiz Grave Bonfim que alega ser dono ou proprietário de cerca de 500 hectares do mesmo.
Levantamento detalhado realizado por equipe da CDA-Coordenação de Desenvolvimento Agrário, Órgão do Governo do Estado, presidido pelo Dr. José Alberto G. Nogueira, revela que dentro da área pleiteada pertencem de fato ao Sr. João Luiz Grave Bonfim, apenas 106 hectares tituladas, divididas em duas áreas denominadas Fazenda Beija Flor, com 60 hectares e, Fazenda Estrela do Sul, com 46 hectares outras. Quanto ao restante da área e que é palco do litígio, esta totaliza 560 hectares de terras devolutas, segundo a CDA, compreendidas pelos imóveis denominados São Benedito, com 120 hectares; Rosa do Itu, com 250 hectares; e, Monte Sinai, com 190 hectares.
A secretária de Políticas Sociais do STTR e presidente da Associação Aristeu Carvalho Lisboa, Maria das Graças Olegário, diz que “resta oa Estado decidir no Tribunal sobre a área que lhe pertence, as 560 hectares devolutas desmembradas dos imóveis titulados”.
E o presidente do STTR/Eunápolis, Almir Souza Ramos diz que determinação judicial, mandado de reintegração de posse não se discute, cumpre-se. Mas, o sindicalista pede calma aos “companheiros”, enfatizando que crê na Justiça e mantêm a certeza de um desfecho positivo em torno da questão.